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Alexander Deineka
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segunda-feira, 23 de julho de 2012

quando o mundo pára

Não somos muito de rituais, cá em casa. Fazemos tudo com algo de improviso, sempre. A única excepção é a hora de deitar. Não no que diz respeito à hora, que essa é sempre mais ou menos, mas na ordem de trabalhos.
O nosso rirual diário, aquele que não dispensamos nunca, é o de ler às meninas, à hora de deitar. Quando está na hora de deitar, e a hora de ditar é sempre mais ou menos, desligo o telemóvel, visto o pijama e arranjo-me como se fosse hora de me deitar também. Não é e a minha esperança é conseguir adormecer as meninas e voltar para o meu trabalho, que é sempre muito, ou para o meu livro. Mas na verdade adormeço com elas as mais das vezes, por isso me preparo como quem diz até amanhã. Escolhemos o que vamos ler - a pequena, mais segura do seu querer, escolhe conto atrás de conto, ordenando "Lê!". E eu leio. Primeiro a uma, depois a outra, deito-me com uma e abraço-a até que durma, deito-me com outra e abraço-a até que durma. E então é aí. É aí que o tempo pára. Não existe mais nada. Não há testes para corrigir, não há aulas para preparar, não há mails, estados do Facebook, roupa para estender. Nada. Aquela é a minha hora da paz. Percebi isto recentemente com uma clarividência extraordinária. Tenho andado sob uma tensão nervosa tremenda. Tem-me acontecido algo que já me haviam descrito, mas que nunca tinha percebido bem. Acordo de manhã, muito cedo, eu que durmo sempre até tarde, e não aguento ficar na cama. Como se tivesse uma pedra pesada em cima do peito, a esmagar. Essa pedra fica cá dentro todo o dia, o coração bate pesado, todo o dia. E a pressão da pedra, dura, pesada, só alivia à noite, na cama delas, enquanto lhes leio, enquanto as abraço e espero que adormeçam.
Há um milhão de autores que advogam a favor da leitura pelos pais aos filhos à hora de deitar, como ritual de transição entre o dia e a noite. Que é útil para criar laços, que faz bem às crianças. É preciso dizer que este ritual faz bem aos pais também. Nós precisamos dele tanto ou mais que os nossos filhos.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

um post inútil

A ideia fixa. Ou a mania, chamem-lhe o que quiserem. Panca - talvez seja mais adequado.
Cada um tem a sua. Panca. Ou as suas. Manias. E quem atira a primeira pedra?

Não sou mulher de pressentimentos, o que me irrita sobremaneira. Gostava de ter pressentimentos, daqueles que me ajudassem a decidir o que fazer ou não fazer. Ainda hoje, fui à escola da minha filha, poucos minutos antes de iniciarem as aulas da terde, só para lhe dar um beijo. Nunca tal tinha feito e, posto que as aulas acabam amanhã, não volto a fazer, pelo menos não este ano. Foi uma coisa que me apeteceu fazer assim de repente e, como tinha tempo, lá fui. Mas não ia bem, não vim bem e não vou bem, quando for para as reuniões que ainda me esperam hoje. Olho por cima do ombro, à procura de alguma coisa que me explique por que fiz aquilo. Assim como se fosse acontecer alguma coisa má, sei lá.

Sonho muito. Sonho tanto, que às vezes parece que não durmo. E sonho coisas más, daquelas que nos tiram o sono, que incomodam. Só sonho asneiras, sobretudo se dormir muito. Visto que durmo muito pouco, podia sonhar pouco também, mas não. E acordo angustiada. Ando angustiada dias seguidos por causa do que sonho noites seguidas.

Então um dia eu tive um sonho.
Estava, na altura, grávida da minha grande.
Sonhei que ma tinham levado. Assim, porque foi assim. Não sonhei que ela tinha sido raptada, que me tinha esquecido dela, nada disso. Sonhei que ma levaram.
A bem da verdade, nem sequer sei se foi assim. Não me lembro se sonhei ou se pensei. Pouco importa, agora.
Contei à minha mãe, que é uma mania que eu tenho, conto-lhe tudo. Ela entrou em pânico e achou que eu não podia ficar sozinha no hospital, quando ela nascesse. Decidiu que ficava comigo. Fomos para um quarto particular, não para a enfermaria, que não há excepções para minguém.

Nunca aconteceu nada a nenhuma das minhas filhas, mas a segurança delas é uma preocupação constante. Uma obcessão. E estou sempre a pensar que hoje em dia corremos, correm as nossas crianças, muitos riscos, muito diferentes dos que nós corríamos quando tínhamos a idade delas.
Não consigo perceber as pessoas que colocam fotografias dos filhos - ou de crianças em geral - na Internet, particularmente em redes sociais. Não consigo entender que mais é preciso para perceberem que representa um risco real. As crianças ficam mais vulneráveis, tornam-se alvos mais fáceis. E, para agravar, colocam fotografias suas com os filhos, facilitando ainda mais a identificação de um com o outro. Não têm medo? Eu sou paranóica? Talvez, mas deixem-me estar assim.
Baralha-me mais ainda quando colocam fotos em que se vêem outras crianças. Com que direito colocam na net fotos de filhos que não são seus? Não, que eu saiba, que eu tenha visto, não há fotos das minhas filhas em parte nenhuma. (Se alguém souber de alguma, peço por favor que me avise, para eu tratar de tirar.) Por não existirem fotos em que elas apareçam, dizem-me, não tenho de me preocupar. Não concordo. Não concordo, porque o facto de não haver hoje não significa que não haja amanhã. E como evitar? A verdade é que não posso evitar. Não as tenho dentro de uma redoma, nem pensar: elas saem, vão a festinhas de aniversário de amigos, participam nas festas das respectivas escolas.
Ora aí é que está. Aproximam-se as festas de fim de ano. Um pai, uma mãe que ache normal (eu diria que acham giro) colocar fotos dos rebentos para o mundo inteiro ver pode colocar uma foto em que estejam outras crianças. Como impedir? Não há como impedir. Pode fazer-se um apelo às pessoas, para que sejam cuidadosas. Na minha opinião devia ser possível proibir os pais de colocarem fotos dos filhos na Internet, porque o primeiro dever dos pais é proteger os filhos e a exposição demasiada é um problema muito grande. Mas, para não colocarem fotos de outras crianças deveria bastar um poucochinho de bom senso. Nem era preciso muito. Arguentam-me com frequência que outras crianças não são reconhecíveis. A minha pergunta é só esta: Juras? Não são reconhecíveis a quem? A um triste mortal, como é a maior parte de nós,  ou a uma pessoa que anda na net dia e noite a fazer o que nem gostamos de saber que existe? É que eles andam aí. Não, não acredito nem em marcianos nem que o mundo acabe hoje o fim da tarde. Mas sei, porque leio notícias, porque vou vendo alguma televisão, porque trabalho com crianças (que já receberam formação sobre como utilizar a Internet) que há pessoas que não gostam de crianças e que lhes querem fazer mal.
Pela parte que me toca, quero proteger as minhas filhas. Não numa redoma, mas quero protegê-las.
As outras pessoas, façam como quiserem. Pelo sim, pelo não, aqui fica o endereço de um site muito útil, cuja consulta recomendo vivamente: Miúdos Seguros na Net.

E cá está o meu post inútil. Porque vai ser lido por tão poucas pessoas. É apenas mais uma gota de água num imenso oceano. Uma gota de água de quem rema contra a corrente.

sábado, 19 de maio de 2012

fazes-me falta



Não, não falo do livro de Inês Pedrosa. Falo de uma amiga que me incita a escrever aqui.
Ela tenta fazer de mim uma blogger assídua, mas eu sou muito pouco disciplinada, essa é que é a verdade. Durante o dia, o tempo é pouco, que é como quem diz, quase nenhum. Depois do trabalho, é pura e simplesmente mentira. No fim das aulas sento-me durante uns segundos, que está para começar a maratona. Leia-se sentar em sentido figurado, que não tenho tempo para tais luxos.
Saio das aulas estourada. Tão estourada que a minha rotina de regresso a casa é diferente da de muitas pessoas que conheço, a começar pelo maridão. Quase todas as pessoas gostam de ouvir rádio no carro. Ou música. Que é uma forma de relaxar. Ele, que vai e vem da Maia todos os dias, aproveita o tempo para ouvir (alguma) da música que adora e que nunca tem tempo para ouvir em casa. Há quem se mantenha a par das últimas notícias, quem ouça informações de trânsito. Estas então a mim não me interessam mesmo nada. As estradas que me tocam, nas idas e vindas, são a)imunes a engarrafamentos ou b)pequenas de mais para serem contempladas nos noticiários das estações de rádio.
Tenho música, muita, de muito boa qualidade, que isso o maridão não descuida, mas não. Não ouço nada. Nos meus vinte minutos de carro duas vezes por dia, tudo o que me acompanha é o silêncio. O silêncio que idolatro, porque é algo só tenho mesmo durante aqueles bocadinhos. Nem antes, nem depois. Os meus dias são recheados de barulho. Em casa, as meninas, embora, faça-se justiça, não muito, ultimamente, de manhã. Na escola, os alunos. Nas aulas, na cantina, durante a hora de almoço, nos corredores, sempre. E de novo as meninas, agora sim, barulhentas, reivindicativas, pegadas uma com a outra, como irmãs que se prezam.
Ficamos então com as noites, para escrever, ler e todas as outras coisas que faríamos o dia inteiro se não tivéssemos de trabalhar. As noites? Quais? Aquelas em que adormecemos com as meninas, ora com uma, ora com a outra? E é que agora adormecemos os dois, um com cada uma... Não, as noites não são uma hipótese. Ou porque acordo toda partida às quatro da manhã, caso em que me apresso a meter-me na minha cama, para não "espalhar o sono", ou porque não adormeci com elas e aproveito para corrigir mais algumas composições, as minhas eternas composições. E, para dificultar ainda mas, decidi deixar de me deitar a horas pornográficas. Não consigo sempre. Não tenho suficiente força de vontade, mas ligar o computador é uma tentação a que tento resistir.
Bom, mas prometo. Prometo. Vou tentar escrever mais.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ai as fadas...


Ontem ouve choro e ranger de dentes.
De poucos dentes, na verdade, porque, ao almoço, tinha caído mais um, o quarto.
Era noite de a Fada nos visitar, portanto, o que causa sempre grande emoção.
Com medo de deixar o dente esquecido em cima da mesa, não fosse ele ir parar ao lixo, o que seria uma grande desgraça, meti-o no bolso. Vai daí, não sei como nem quando, talvez quando experimentei um vestido, o dente desapareceu.
E agora? Não vou poder deixar o dente à fada e ela não me vai dar uma prenda.
Tentamos deixar-lhe um bilhete, a dizer que o dente te caiu, mas que a tua mãe o perdeu.
Não é a mesma coisa, ela não vai deixar nada...
Lá continuei argumentando que não há nada como tentar, porque, sabes como são as fadas, não castigariam uma criança por causa do erro de um adulto.
O desespero era tanto que nos obrigou a prometer que lhe daríamos NÓS uma prenda se a estratégia do bilhete não resultasse. Prometemos tudo, e, em desespero de causa, cheguei mesmo a perguntar-lhe "Mas afinal acreditas em fadas ou não?", tendo a resposta sido, evidentemente, afirmativa.
Depois de muitas lágrimas, muito desgostosas, lá escrevemos o bilhete, a explicar exactamente como tudo tinha acontecido. Ilustrou-se com o dente, claro, mais uma grande flor, um coração (não sabemos a quem pode sair com tamanho jeito para o desenho...).
E lá pusemos o bilhete debaixo da almofada.
E, claro, a fada lá o substituiu pela tão desejada prenda, o que, além do mais, tem sempre o efeito secundário de um despertar sorridente e bem disposto.
E lá concordou, novamente, de manhã: as fadas existem mesmo. E eu acrescento: são das crianças e para as crianças.

Quanto ao bilhete, esse está guardado, bem guardadinho. Com certeza, daqui por uns anos, fará um novo sorriso brilhar naquele rostinho, que vai ser sempre o mais lindo do mundo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

a fada das flores


Lá dizia Jung: não há acasos, mas coincidências significativas.

Um Sábado de manhã, a minha grande queria um sumo e um pão com fiambre. A minha irmã, que estava com ela, trocou uma esplanada na Oliveira por um café conhecido, onde confiava mais no fiambre. Na mesa ao lado (umas mesas pequeninas, que já eu adorava quando as minhas pernas não tinham tamanho para mais) sentou-se uma senhora com a filha. Vinham da biblioteca e traziam livros que satisfizessem a pequena futura leitora durante a semana toda.
Palavra puxa grunhido, veio à baila a chupeta, companheira inseparável, naquela época, da minha grande, então ainda com 3 anos. A mãe da Fabiana (se a memória não me falha) contou que a filha tinha dado a chupeta à fada e recebido um presente em troca.

Uma rápida troca de olhares com a minha irmã e uma decisão: se funcionou com ela, também vai funcionar com a nossa.
Iniciámos o processo de mentalização, que levou umas semanas. Comprámos a prenda: um fabuloso livro sobre o Mundo das Fadas, que ficou à espera que ela decidisse. Demorou, até porque sabia que não tinha retorno, embora não percebesse muito bem o que isso queria dizer.
Chegou o dia. Na noite de 25 de Janeiro de 2009, a corajosa pegou numa caixa, colocou lá a chupeta (as outras duas fizeram cada sua aparição perigosamente fantástica uns dia/semanas depois), pôs no parapeito da janela, pediu o biberão de leite, para substituir, percebem?, é que naquela época costumava ser difícil dar-lhe o leite se não estivesse a dormir. Correu tudo às mil maravilhas, mais a troca da caixa pelo livro, que fez as delícias dela ao acordar.
Claro, correram menos bem as duas noites seguintes, mas já estava, a Fada tinha levado, já estavam transformadas em flores, não havia nada a fazer. É que isto de deixar a chupeta é como deixar de fumar: não se pode vacilar, nada de cair na tentação...

Agora era a vez da pequenita. Mas esta é diferente. A outra vive mais de fantasia, enquanto esta sabe muito bem o que quer, que é como quem diz: só faz o que lhe apetece e faz tudo o que lhe apetece. Tudo.
Havia quem não acreditasse que ela caísse no conto do vigário.
Mas.
Ontem à noite, quis ver, ou eu quis que ela visse, já nem sei, o famoso livro que a fada tinha trazido à irmã. Estávamos sozinhas, pelo que o tempo era nosso. O pó de fada na capa, as chupetas transformadas em flores, as roupas das fadas, a fada dos dentes...
Até que...

- Eu vou dar a chupeta à Fada.
- Vais? Muito bem! Quando?
- Agora. (a resposta costumava ser aquele "amanhã" que quer dizer qualquer dia, num futuro longínquo)
- Agora? Tens a certeza? Olha que a Fada não volta a trazer as chupetas...
- Vai buscar a caixa.

Obediente, lá fui. Levei-lhe a caixa, com todas as chupetas (umas seis ou sete), lá adicionou a que estava de serviço e foi pôr a caixa no parapeito da janela - a mesma janela de há dois anos e meio.
- Pronto. Fica aqui.
- Que linda! Estás uma crescida! És a minha grande! Estou muito orgulhosa de ti!

Estava com tanto sono que praticamente adormeceu antes de acabar o Boa Noite Ursinho, o nosso livro de dormir preferido.
Acordou de manhã num pranto tal que houve quem pensasse que tinha caído abaixo da cama. Não queria saber de fada nenhuma, nem de prendas, nem de nada. Queria uma chupeta e pronto!
Mas não era possível. Já tinham ido, a esta hora já deviam ser flores no país das fadas.
Só acalmou com um biberão de leite, deitada no sofá a ver desenhos animados.

Entretanto, chegou a avó e só um bom pedaço depois acedeu a ir ver se a fada tinha trazido alguma coisa.
E tinha. Um livro, as tais "18 Histórias de Fadas e Princesas", umas coisas giras penduradas nas cortinas e na cama, umas receitas de comida da terra das fadas e... uma carta de felicitação e agradecimento!
Um delírio!

Já descobrimos, hoje, mais flores no livro do Mundo das Fadas da irmã. Não estavam lá ontem, portanto têm de ser as novas, feitas com as chupetas de ontem à noite. A paisagem está diferente, sem dúvida.

Claro que o deitar já deu direito a choradeira, amanhã também vai dar, mas o difícil já está. E é a tal história do cigarro. E, como diz uma psicóloga amiga: custa-nos mais a nós do que a eles.

(Nota: Agora passei a acreditar naquele teste mais que científico que diz que eu sou uma mamã fada. É que ela apanhou-me desprevenida. Tive de improvisar mesmo a sério. Por sorte, o Pai Natal tinha deixado uns livros esquecidos no meu roupeiro e - valham-me as coincidências significativas - um deles era a propósito. E depois, valeu-me a Internet e a impressora: fiz uns prints, uns recortes, umas dobragens, socorri-me de uns clips e deitei-me às 3 da manhã. Valha a verdade: somos, sou, pelo menos eu, muito mais cuidadosas com o primeiro filho do que com o segundo...)

(Nota 2: Estou a considerar seriamente a hipótese de falar com a fada acerca do biberão. Com a mais velha funciona pela certa. Até os olhos lhe brilharam quando coloquei a questão. "Será que dá? Em que transformarão? Árvores? Casas?" Acho que vai ser por aqui...)

(Nota 3: Logo hoje, na Zara Home, tinham de ter na montra lençóis com fadas. E candeeiro de cabeceira, mala, cesto de papéis... Lindos. Mas os lençóis tinham medida de berço, não de cama de gente. Traição. Fiquei-me por um conjunto prato/taça/copo para cada uma...)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

livros e mais livros


Num apartamento onde vivem quatro pessoas (dois adultos e duas crianças), quatro dos quais viciados em livros, sim, quer dizer, todos, por junto, a coisa torna-se complicada.
Mesmo tratando-se de um apartamento grande, mesmo que haja estantes - os tais elementos de decoração mais-belos-do-que-todos-os-outros - na sala, no esctitório, no quarto de brinquedos, mesmo que se amontoem livros nas mesinhas de cabeceira, nas cómodas, na credência da entrada, mesmo assim a coisa é complicada.
(Nota: o segundo vício complicado conta mais de 4000 CDs. Sim, quatro mil.)
O problema, dizia, é complicado. E tende a agravar-se. Sim, e a breve trecho. Eu explico.
As duas crianças ainda não lêem. São viciadas em livros... que nós, os adultos, lhes lemos. Não passam sem uma história, um conto, um livro (ou dois, ou dez) todas as noites antes de adormecer. Pelo menos antes de adormecer. E têm. Esse tempo é delas. Por muito trabalho que tenhamos para fazer, por muito tarde que nos deitemos depois, porque ficaram pontas soltas (contos, testes, normalmente, mas de tudo). À hora de deitar somos delas. E lemos. E conseguimos fazer com que elas gostassem tanto que não passam sem.
Para já, somos nós que lemos, mas em Setembro uma começa a escola, o que quer dizer, espero, que vai ler mais. Vai deixar de precisar do adulto como intermediário. E a outra não vai querer ficar para trás, cheira-me.
A situação não é bem "não cabe nem mais um livro". É mais "não cabe nem mais uma folha de papel..."
Lá em casa, as estantes estão cheias. O que quer dizer: há duas filas de livros em cada prateleira, há livros por cima dos livros. Há livros em cima das estantes. Há lirvos... (Não, não temos livros a calçar mesas, isso não.)
É um problema. Mas é um doce problema.

terça-feira, 14 de junho de 2011

são lindos...

A minha pequenata, que tem dois anos e meio, e o primo, que já fez três - filho da minha prima, madrinha dela, melhor dizendo - adoram-se.
Nem podia deixar de ser: têm idades muito próximas, são colegas de sala no Colégio. Ele protege-a, que é forte (é mesmo), ela venera-o. Só brinca com ele, quase não fala com mais nenhum colega. Ele porta-se bem (!), mas passa-lhe assim uma nuvem se alguém tenta chegar à beira dela.
No Sábado foi dia de festa para os dois. Encontraram-se em casa da minha mãe, à hora do almoço, e passaram a tarde juntos, jantaram juntos... Há uma fotografia linda dos dois sentados num baloiço. Ele quis levá-la a ver os seus amigos, i.e.: comer um gelado ao café onde ele habitualmente vai com os pais, e ela obedeceu-lhe em tudo: "Diz olá.", "Dá um beijinho." (Quem a conhece sabe como é difícil acreditar...)
Esta noite, como se não bastasse ter adormecido tardíssimo e eu ainda ter vindo trabalhar, apareceu-me às quatro e meia da manhã, o que é habitual nela. Choramingava...
"O que foi, querida?"
"Tou tiste."
"Estás triste? Porquê?"
"Quero o..."
"Tens saudades dele?"
"Xim."
"Então vamos dormir mais um bocadinho, para amanhã brincares com ele no Colégio, todo o dia, está bem?"
"Xim."
E assim foi.
À tarde, no regresso a casa, contou-me:
"Sabes? Eu tenho um irmão."
"Tens um irmão? Quem é?" (Como se eu não soubesse...)
"É o..."
E lá vinha, toda contente.


Nota: Não ponho os nomes das minhas filhas, nem os de outras crianças, em nenhum sítio na Internet. Nem aqui.