Woman reading
Alexander Deineka
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sábado, 19 de maio de 2012
fazes-me falta
Não, não falo do livro de Inês Pedrosa. Falo de uma amiga que me incita a escrever aqui.
Ela tenta fazer de mim uma blogger assídua, mas eu sou muito pouco disciplinada, essa é que é a verdade. Durante o dia, o tempo é pouco, que é como quem diz, quase nenhum. Depois do trabalho, é pura e simplesmente mentira. No fim das aulas sento-me durante uns segundos, que está para começar a maratona. Leia-se sentar em sentido figurado, que não tenho tempo para tais luxos.
Saio das aulas estourada. Tão estourada que a minha rotina de regresso a casa é diferente da de muitas pessoas que conheço, a começar pelo maridão. Quase todas as pessoas gostam de ouvir rádio no carro. Ou música. Que é uma forma de relaxar. Ele, que vai e vem da Maia todos os dias, aproveita o tempo para ouvir (alguma) da música que adora e que nunca tem tempo para ouvir em casa. Há quem se mantenha a par das últimas notícias, quem ouça informações de trânsito. Estas então a mim não me interessam mesmo nada. As estradas que me tocam, nas idas e vindas, são a)imunes a engarrafamentos ou b)pequenas de mais para serem contempladas nos noticiários das estações de rádio.
Tenho música, muita, de muito boa qualidade, que isso o maridão não descuida, mas não. Não ouço nada. Nos meus vinte minutos de carro duas vezes por dia, tudo o que me acompanha é o silêncio. O silêncio que idolatro, porque é algo só tenho mesmo durante aqueles bocadinhos. Nem antes, nem depois. Os meus dias são recheados de barulho. Em casa, as meninas, embora, faça-se justiça, não muito, ultimamente, de manhã. Na escola, os alunos. Nas aulas, na cantina, durante a hora de almoço, nos corredores, sempre. E de novo as meninas, agora sim, barulhentas, reivindicativas, pegadas uma com a outra, como irmãs que se prezam.
Ficamos então com as noites, para escrever, ler e todas as outras coisas que faríamos o dia inteiro se não tivéssemos de trabalhar. As noites? Quais? Aquelas em que adormecemos com as meninas, ora com uma, ora com a outra? E é que agora adormecemos os dois, um com cada uma... Não, as noites não são uma hipótese. Ou porque acordo toda partida às quatro da manhã, caso em que me apresso a meter-me na minha cama, para não "espalhar o sono", ou porque não adormeci com elas e aproveito para corrigir mais algumas composições, as minhas eternas composições. E, para dificultar ainda mas, decidi deixar de me deitar a horas pornográficas. Não consigo sempre. Não tenho suficiente força de vontade, mas ligar o computador é uma tentação a que tento resistir.
Bom, mas prometo. Prometo. Vou tentar escrever mais.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
estou de férias?
Os professores não fazem nada.
Ok. Então o que estou eu a fazer ao computador a estas horas? Farmville? Não, meus senhores. Actas. Acabo de fazer duas actas. Fresquinhas... Quer dizer, tão quentinhas como as minhas pernas, de ter o laptop aqui pousado há sei lá quanto tempo. Se fossem pão, com manteiga ficavam uma delícia.
Sinto-me exactamente como a senhora na imagem: afogada em papel.
Aliás, é assim que me sinto quase sempre, falando da minha profissão.
Excepto quando estou em aula. (E, acreditem, passo muito mais tempo em trabalho de bastidores, afogada em papelada, do que com os meus alunos. E não, não estou a falar só dos testes que corrijo.)
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