Woman reading
Alexander Deineka
sábado, 7 de novembro de 2009
chinese proverb of the day
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
é isto que eu quero
domingo, 27 de setembro de 2009
importa-se de repetir?
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
como fiz da minha filha uma bibliófila IV
sábado, 19 de setembro de 2009
o novo livro do meu pai
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
como fiz da minha filha uma bibliófila III
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
há sempre uma primeira vez...
sábado, 12 de setembro de 2009
a gripe
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
como fiz da minha filha uma bibliófila II
Tratei de fazer do livro um objecto normal, do dia-a-dia dela, tal como os guizos, a chupeta, a fralda que roçava com os dedos para adormecer.
O primeiro livro que ela teve era de pano, sobre o “Fundo do Mar”. As “folhas” faziam barulho e os seus cantos eram de borracha, para massajar as gengivas aquando do aparecimento dos primeiros dentes. Tinha uma asa, para ela poder agarrar, como todos os outros guizos que se destinam a bebés de três ou seis meses.
Seguiu-se um outro livro, com ilustrações giríssimas de animais marinhos (também), que era um brinquedo para o banho. Até no banho - um rápido duche - havia espaço para ler.
Quando se tornou possível interagir um pouco mais, ou seja: quando atingiu a idade que a irmã tem agora, apareceram os primeiros livros "a sério": pequenos, à medida das mãos dela; cartonados, para serem mais resistentes, claro; com imagens, pouco texto, mas o suficiente para ela perceber que nos livros existia informação e que essa informação lhe interessava: as vozes dos animais, os seus filhotes, os elementos da Natureza, a relação entre os meios de transporte e a função a que estão destinados, o inevitável Natal, os frutos, as cores, os vegetais... Rapidamente os leu sozinha: abria na página com a imagem do perú e "lia": "galu, galu". Fazia as minhas delícias.
Vendo que estes estavam a "entrar", arrisquei outros, que já contavam uma pequena história: uns livros da Anita, pequeninos, também cartonados (o que, além do mais, lhe facilitava o folhear), com oito ou dez páginas daquelas belíssimas ilustrações acompanhadas de uma ou duas frases muito simples, que resumiam os livros da Anita que conhecemos de toda a vida. Rapidamente começou a comentar a leitura: "totó", quando a protagonista ia brincar para a neve sem casaco nem gorro, apontava para a imagem do gato quando eu lia que ele fora visitara a Anita convalescente, etc. Associava o livro à pessoa que lho oferecera.
sábado, 29 de agosto de 2009
como fiz da minha filha uma bibliófila I
Quero que a minha filha goste de ler. Ainda mais do que eu gosto. Tenho utilizado muitas estratégias para atingir este objectivo. Já há muito, o feedback que recebo indica que vou no bom caminho. Ela gosta que se lhe conte histórias (que eu conte, para ser mais precisa), mas gosta sobretudo de ver folhear o livro, de ver passar as páginas, de ouvir ler. De me ouvir ler-lhe.
É claro que ela recebeu livros como prenda de nascimento e de primeiro aniversário: as Histórias e Contos Completos de Hans Christian Andersen e As Melhores Histórias dos Irmãos Grimm, respectivamente, mas trata-se de artigos "de luxo", lá virá a sua hora.
Não foi assim que começou.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
a filha
Desta vez era diferente. Ela sabia que ia ser muito mau. O padre levou-a de rastos até casa dele, para a mulher a ver. Caiu para o lado quando lhe disseram esta vai dar ao teu homem aquilo que tu nunca. E ela ali, a humilhação máxima. Naquele tempo era assim. Como se fosse. Que o padre tivesse filhos, era vergonha, não se dizia, mas não fazia mal. Uma moça solteira era pior vergonha, então irmã do padre, irmãs mais novas por casar. Espancada todos os dias desde pequena, que o pai era o único por ela. E então agora o padre. Não teve escolha. Uma coisa era baterem-lhe a ela, aguentava de habituada que estava, mas à menina não. Isso e as ameaças de lha tirar. Tirar-lha? Para quê? Para vender? Dar? Fazer dela freira? Antes dá-la ao pai. Tratava-a bem, isso de certeza. Rico, ela teria conforto como nunca ali poderia a mãe dar-lhe. E comida. E boa escola. Filha única que seria de uma mãe que nunca pariria os seus. Estava certa. A menina teve vida de morgada, mas disseram-lhe que a mãe a vendera por pouco dinheiro. Muitos anos mais tarde, a menina, já avó, admitiria que se lembrava de ter visto bater à mãe por lhe pôr manteiga, marmelada, qualquer coisa, num pão. Mas nem assim conseguia perdoar. Saber-se aos quatro anos abandonada pela mãe, vendida ao pai por pouco dinheiro, nem sabia bem quanto. Nem depois de velha, mãe de filhos e até já avó perdoava. Também não é preciso tanto. Era grande já quando exigiu regressar para junto da mãe e o pai, falho de argumentos que a dissuadissem, teimosa que era, lhe fez a vontade. Bom dia escolheu. Depois de horas de espera, lá viu vir a mãe e a irmã. Era Verão e vinham do monte, de apanhar lenha para o Inverno, que não tardaria a ser preciso acender o lume. O espectáculo não lhe agradou e muito menos imaginar-se naquilo no verão seguinte ou já amanhã. Em casa do pai tocava-lhe bordar, aprender de cozinha, mas não ir ao monte à lenha. Para isso estavam os criados. Muitos, que chegassem. E a lenha era a sério, da que demorava a arder, que se escolhia as árvores.
Isto da net está a tornar-se cada vez mais um vício.
Durante algum tempo ainda tentei resistir, mas não deu.
Rendi-me, é isso.
sábado, 6 de junho de 2009
terça-feira, 19 de maio de 2009
a prova de aferição?
O problema é que há sempre um mas.
Nunca surgem textos dramáticos no segundo ciclo, estejam ou não no programa.
Continua a ser verdade que a prova era fácil (conheço apenas a opinião dos meus alunos, que ontem nem espreitei noticiários), mesmo no que diz respeito aos elementos relacionados com o texto dramático propriamente dito - desde que os alunos pusessem a cabeça a trabalhar e pensassem no que era pedido, o que, toda a gente sabe, nem sempre acontece.
A não ser, claro, que esteja em jogo alguma coisa muito importante para eles (passar de ano, por exemplo) e eles sabem que não está.
A minha opinião muito sincera?
Venham os exames nacionais. Exames. E não só a Português e Matemática. A todas as disciplinas. Só assim.
já não bebes mais
"Todo o corpo tem uma alma. Alma que às vezes até o próprio corpo deconhece..."
(Sabem, a Mónica costuma parar os relógios. A sério!)
segunda-feira, 18 de maio de 2009
professor sofre
Há um frio na barriga. Claro.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
já repararam?
Então expliquem-me: por que é que a disciplina de Língua Portuguesa não tem maior carga horária? No segundo ciclo, no sexto ano, Matemática tem mais um tempo de quarenta e cinco minutos do que Língua Portuguesa. (Língua Portuguesa, esclareço, tem apenas dois blocos de noventa minutos semanais no quinto ano, sendo acrescida uma aula de quarenta e cinco minutos no sexto ano.) Mas os professores de Matemática queixam-se: os alunos não fazem os exercícios por uma única razão: não sabem ler o enunciado.
Podem, por favor, já agora, explicar-me também a lógica de insistirem naquelas coisas fantásticas do Estudo Acompanhado, da Formação Cívica, da Área de Projecto? Ainda não repararam no tempo que se perde (perde mesmo) com estas palhaçadas?
sábado, 11 de abril de 2009
quem atira a primeira pedra?
da autocomiseração
O melhor, claro, é que tudo corra sempre bem. A seguir a isso, o melhor é que o mal seja o menos mau possível. Há muito mais sofrimento num mau diagnóstico que dita a necessidade de novos exames, mesmo que estes venham a infirmá-lo, do que num mau diagnóstico definitivo, recebido de forma abrupta.
É bom quando, mesmo estando a sofrer, conseguimos dar o real valor àquilo que nos aconteceu, perceber que às vezes não há nada, nem ninguém, nem nós próprios, a quem atribuir a “culpa” e que só temos motivos para seguir em frente.
sábado, 4 de abril de 2009
o que ando a ler
Custou, mas lá encontrei e, devo confessar, devorei. Gostei tanto que comprei uns tantos, que vou distribuindo, mas sobretudo não páro de falar do que ele diz. Depois descobri outros títulos do mesmo autor, todos na prateleira da "auto-ajuda", mas que não me saíram bem isso, ou melhor: não só.
(Devo confessar que sempre senti uma grande admiração pela religião judaica e, mais ainda, por um povo que conseguiu criar uma identidade nacional partindo do mais absoluto nada, um país próspero numa região do mundo onde nada prospera.)
A minha relação com a religião é problemática. Tentaram ensinar-me a ser cristã, católica, mas tenho muitos problemas com a parte de ser cristã e muitos mais ainda com a parte de ser católica. Esta é uma religião dogmática, muito, e eu não consigo acreditar em nenhum dos seus dogmas, para começar. A coisa piora quando começo a pensar na Igreja Católica como instituição, por me parecer o expoente máximo do vício, da mentira e da corrupção. (Leiam, a propósito, Memórias de Um Anão Gnóstico, de David Madsen.)
O que este senhor Kushner me tem trazido é uma leitura da Bíblia que eu não conhecia e até de uma Bíblia que eu não conhecia. Claro: ele fala do Antigo Testamento, texto mais ou menos proibido aos cristãos, que, de resto, pelo menos no caso dos católicos, pouca Bíblia lêem. E nenhuma discutem.
segunda-feira, 30 de março de 2009
tenho de falar sobre isto
Às vezes parece que há uma espécie de mania de dizer que as coisas horrendas acontecem “claro” nos Estados Unidos. Em primeiro lugar, note-se que os Estados Unidos são do tamanho de um continente e têm uma população imensa. A quantidade de notícias que chegam de lá têm de ser observadas à luz desta realidade, já dizia um colega meu ao professor de História do nono ano, quando este, comuna, anunciava que, em números absolutos, lá há mais analfabetos do que cá.
A verdade é que os mais hediondos casos de rapto, sequestro, etc., etc., têm chegado da Áustria. Áustria. País idóneo, paraíso, achávamos. Donde: a Áustria é um país de monstros. Não, claro que não, mas serve para percebermos que os monstros estão onde estão, não nos países que Deus não vê e os Estados Unidos não têm, de todo, o exclusivo.
A história de Natasha Kampush é arrepiante, mas a de Elizabeth Fritzl está para além da nossa (minha) capacidade de imaginar, de descrever. Não conheço adjectivos adequados à monstruosidade do que o pai lhe fez. O pai. Um homem que diz que nasceu para violar.
Ainda não consegui decidir se sou ou não a favor da pena de morte, mas a verdade é que há casos em que até isso soa a pouco. E, no caso dele, morrer é pouco. O que ele merece é sofrer. Sofrer muito. O ideal seria fazê-lo sofrer tanto como ele fez sofrer a filha, mas isso é impossível. Ela teve não sei quantos filhos, mais um aborto, sem qualquer assistência de qualquer espécie: nem médica, nem nenhuma. Apenas na presença do monstro que lhos tinha feito, à força, à frente dos outros filhos. A justiça que lhe deveriam aplicar era passar pelo mesmo que ele a fez passar, mas isso é impossível.
Só é pena que tenha sido num país em que as cadeias se parecem com hotéis de luxo. Era bom se o mandassem para o Brasil ou um país assim. Disseram alguns comentadores no Público, mas eu a sério que já tinha dito. Punham-no numa cela de dez, mas em que estão cinquenta. Aí teria tratamento condigno.
Eu sei que isto já tem muito tempo, já toda a gente escreveu tudo. Também já li no Pedro Mexia, tenho pena de não ter escrito primeiro: esta Elizabeth Fritzl é uma heroína. Mesmo. Passar por tudo o que ela passou e conseguir ter pelos filhos aquele sentimento que as mães têm pelos filhos. Conseguir instruí-los, educá-los na religião que lhe ensinaram a ela. Li nesse texto do Pedro Mexia, não sei onde, que os polícias que trouxeram “para cima” as crianças que continuavam no bunker quebraram quando o mais novo apontou para o céu e perguntou: “É ali que está Deus?”
Deus? É caso para perguntar.
voltei
sexta-feira, 6 de março de 2009
a frase
It is to decide forever to have your heart go walking around outside your body."
Elizabeth Stone
quarta-feira, 4 de março de 2009
o que é mais deprimente?
As mães dos meus alunos parecem minhas mães.
terça-feira, 3 de março de 2009
a frase
William Somerset Maugham
já ninguém se lembra
Sunshine.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
ter um horário...
Não trazia trabalho para casa, não ia para o trabalho fora de horas (ou de dias), a não ser, claro, que o patrão pagasse as horas... Sim, porque o sindicato estaria atento!
Não assinava papéis!...
a pessoa errada
É verdade.
Mas referiam-se à pessoa errada.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
é estranho que não faça falta
Uma das falas famosas da personagem principal de uma das minhas séries de culto dizia isso mesmo: para se ter filhos só é preciso abdicar de... tudo.
De dormir o tempo que se quer, à hora que se quer, de ir, de andar, de fazer, de ler.
Sobretudo de ler.
E do silêncio.
O mais surpreendente é não sentir a falta desse tempo. Tem-se saudades, mas não se sente a falta.
carta aberta a uma amiga
Sabes, criar um filho é o cabo dos trabalhos, mas criar dois não é o dobro: é o triplo, ou mais. Por isso, algumas pessoas, sobretudo uma amiga que só tem uma filha, já adulta, dizia-me que uma chegava e sobrava. Eu argumentava que ter um irmão (na verdade, eu achava que uma irmã) era a coisa mais importante que podia - e devia - dar à minha filha, porque com uma irmã se cria uma relação diferente de todas as outras relações que se pode ter, em toda a vida. Essa amiga, que tem irmãs e com quem, pelos vistos, tem um relacionamento problemático, tentava convencer-me, dizendo que tinha ensinado à filha o valor da amizade. Eu não lhe disse, mas pensei que não são comparáveis: uma amizade pode não ser para toda a vida - a maior parte delas não é. Enquanto uma irmã pode nunca vir a ser exactamente uma amiga, mas será sempre irmã. A relação que se tem com uma irmã é muito complicada de explicar a quem nunca teve uma. Uma irmã é uma pessoa que está lá sempre, mesmo que metade das vezes que lhe telefonamos a pedir ajuda nos dê, se calhar, uma resposta torta. Está lá sempre. Viveu connosco tudo o que nós vivemos. E, mesmo que estejamos afastadas, de alguma forma, durante muito tempo, ela continua a existir e é sempre nossa irmã.
Depois, claro, há o argumento de que os filhos únicos são insuportáveis de mimados, mas eu conhecia-te a ti e tu contrarias essa teoria.
Porquê tudo isto?
Porque recentemente tenho pensado muito no facto de tu não teres irmãos.
Dizes-me frequentemente, ou melhor: com a frequência com que falamos ultimamente, que é rarissimamente, dizes-me que trabalhas imenso, que isso te deixa pouquíssimo tempo para estares com os amigos, que o tempo passa a correr parece que começas a perder contactos. Eu presumo, então, talvez erradamente, que o que está a acontecer comigo deve estar a acontecer com outras amigas tuas, também.
O que eu gostava de te dizer é: tem cuidado. Os amigos não são como os irmãos: eles vêm e vão. Como um iô-iô, se se quiser ser agressivo. Tens de tentar fazer aquilo que eu achava que tu fazias: cultivar as relações de amizade como se elas fossem de família. Pelo menos - permite-me - com aquelas pessoas que te chamaram para a sua família. Corres o risco de, um dia, seres apenas uma recordação. Até porque nós temos irmãos...
Houve uma época em que eu sabia sempre em que dia e a que horas tu saías em viagem e regressavas. Era a mim que telefonavas a dizer que a viagem tinha corrido bem, que havia espaço para mim no quarto, se eu não tivesse preferido ficar em casa. Hoje, imagino que estejas cá, porque as janelas de tua casa estavam abertas. Mas pode ser a tua mãe, que já tenha regressado. Tenho saudades daqueles tempos.
É por isso que te vou fazer hoje uma proposta que ando há muitos anos para te fazer. Muitos anos mesmo. Desde o tempo em que falávamos todos os dias e noventa por cento das mensagens que recebia no telemóvel eram tuas. Devíamos comprometer-nos a falar ao telefone pelo menos uma vez por semana. Combinávamos um dia e mais ou menos uma hora e, todas as semanas, ligávamos. Nem que tu estivesses no fim do mundo.
Beijinhos.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
a minha avó
Foi sempre uma pessoa tão difícil. E agora, passados os anos que foi preciso que passassem, pensando bem. Pensando bem, sobretudo.
Como é que ela poderia ter sido fácil, se teve sempre uma vida tão difícil? É preciso escrever a vida dela, mas como? Ela já não se ouve. As outras pessoas não contam as histórias todas nem toda a história. Algumas, nem quero ouvi-las, por isso, como?