Woman reading

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Alexander Deineka

terça-feira, 16 de novembro de 2010

memórias de infância


Colocaram um desafio no Facebook: trocar a fotografia de perfil por uma imagem de um desenho animado, de uma boneca que tenha feito as nossas delícias durante a infância.










Pensei de imediato na Sarah Kay, claro. Sou - sim, continuo a ser - perdidamente apaixonada por estes desenhos. Todos.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

uma mão cheia de anos

Lembro-me perfeitamente. Tenho até uma fotografia. Quem a tirou, o papá, concerteza, nem devia saber, mas eu estava a dizer "Tenho uma mão cheia de anos." Foi na festa do meu quinto aniversário, claro. Há tantos anos. Falta pouco para as mãos cheias serem oito.
Ontem, foi a minha filha. Como o tempo passa. Já tem uma mão cheia de anos. Teve um dia feliz, cheio.
Pela manhã, os parabéns e o presente mais especial. Um cofre mágico (vulgo: caixa de madeira comprada numa loja de chineses e decorada, pela mamã, com a técnica da découpage) cheio de contos. Ela, que ador ler. Que lhe leiam. 114 contos. E agora é oficial: quer aprender a ler. Festa no Colégio, na Cítara, no Inglês, jantar com os avós em casa.
Parabéns, minha princesinha, pela tua (primeira) mão cheia de anos!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

the quote

Where is human nature so weak as in the bookstore?
- Henry Ward Beecher

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

afinal havia outro...

É um blog apenas dedicado à divulgação de contos e ao incentivo à leitura junto dos meus alunos, mas não só.
Pais, mães, leiam estes contos aos vossos filhos, leiam-nos para vosso próprio deleite. São maravilhosos.
Ah! E não é obrigatório ter filhos.

ora bem...

Hora do Conto.
Pois é. Saiu-me ao lado. Pensei que ia ao Colégio ver o espaço destinado à Biblioteca, tentar pôr em prática todas as ideias maravilhosas que tenho trazido dos (muitos e valiosíssimos) cursos que tenho feito. Tudo para que as Educadoras depois implementassem uma série de actividades com as crianças.
Não é bem assim.
A ideia é eu ir lá ao Colégio ler um conto às crianças, ensiná-las a gostar de ler.
Pelo que percebi, preferencialmente às crianças de todas as idades. Pelo menos a partir dos 4 anos, até ao nono ano, porque têm ATL.
Honestamente? Faria disto profissão. Mas eu tenho outra profissão. Parecida, mas não é bem. Exige muito trabalho de bastidores. Mesmo muito.
Para além do mais importante: o "curso de mulher casada e mãe de filhos".
Mas os livros são o meu elemento. Trabalhar numa biblioteca, numa livraria, ler, dar a ler, ensinar a ler...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

tornar um sonho realidade?

Tenho uma mania que muitos devem achar insuportável: se eu gosto de uma coisa, todos à minha volta têm de gostar também.
Eu gosto de ler. Assim. Sem muito, porque sabe melhor só assim. Eu gosto de ler.
E então o sonho da minha vida (inteira) é convencer todos à minha volta a gostar de ler também.
A tal ponto, que tenho de reconhecer que uma das vantagens do Kindle é não permitir o empréstimo de livros. Perdi a conta a quantos nunca voltei a ver.
No ano passado, consegui chegar aos meus alunos do sexto ano e aos seus pais.
Exigiram uma Oficina de Leitura - e conseguiram-na. 35 alunos inscritos precisamente na actividade que, no início do ano, diziam detestar.
Amanhã vou ao Colégio das minhas filhas ver como, onde implementar a Hora do Conto. Dinamizar a(s) Biblioteca(s). Sim, provavelmente vai mesmo ser plural: uma para os pequeninos, da Creche e do Jardim, outra para os grandes, do ATL.
E ainda querem que dê uma palestra aos pais, sobre o incentivo à leitura, sei lá. Que calafrio...

era aquilo que eu queria, mas...

Eu tinha de ter um leitor de livros electrónicos. Que é como quem diz: eu tinha de ter um e-reader.
Depois de muita pesquisa, escolhi o nook, da Barnes & Noble. Escolhi capa e tudo. Só que não vendem para a Europa. Mais: deixam instalar o desktop reader, mas não deixam comprar livros, se se estiver registado fora dos Estados Unidos.
O Kindle, da Amazon, baixou de preço e eu perdi a cabeça. Literalmente. Ou, como dizia uma amiga, perdi o amor a uns euritos. Estou completamente apaixonada pelo meu Kindle. Tenho uma capa da M-edge: New Yorker Sunday in Central Park e levo-o comigo para todo o lado. Quer dizer: todo o lado.
Efeitos colaterais:
1. estou muito mais viciada no Facebook do que alguma vez estivera;
2. estou perita em programas que convertem todo o tipo de ficheiros para formatos reconhecíveis pelo Kindle.
Adoro.
Depois de pesquisar ainda muito mais, cheguei à conclusão de que o Kindle é de facto o melhor ereader do mercado. Bate o nook 5-0, num teste de funcionalidades muito básicas, completamente necessárias a qualquer leitor. Como procurar uma palavra no dicionário.
E sim, leio muito mais, especialmente na cama. A sério que é mais prático. Com um livro, temos de permanentemente ajustar a nossa posição, ou a posição do livro, o que dá no mesmo. Com o Kindle, é só carregar no botão. Está sempre na posição perfeita.
Obrigada, Amazon!
E obrigada também à Barnes & Noble, por não vender o nook para a Europa. Eu teria feito uma grande asneira.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

conto contigo

Havia há muito decidido desenvolver uma actividade de incentivo à leitura que envolvesse não só os alunos, mas também o seu agregado familiar. Comecei por “sondar” se os alunos estariam receptivos a ler os contos que eu queria que eles lessem. Logo no início do ano, na primeira aula, em jeito de boas vindas, li-lhes um conto, o Encontro com a Dama das Histórias, de que me pareceu terem gostado muito. Passados uns dias, li um outro e, desta vez, mostraram-se tão entusiasmados que decidi aceder ao seu pedido de lhes fotocopiar conto (O Relógio da Avó).

Quase todas as semanas, e porque eles sabem que tenho sempre contos novos “na manga”, leio-lhes mais um, no final de uma aula que acabe uns minutos mais cedo, por exemplo. Como prenda de Natal, ofereci-lhes um novo conto, com uma lindíssima mensagem natalícia: A Surpresa do Pai Natal. Foi como se lhes tivesse dado o Sol. Entretanto, fui perguntando se falavam dos contos em casa, se liam com os pais os que levavam fotocopiados. Que sim, que os pais adoravam, que queriam voltar a lê-los.
Estava preparado o terreno. Escolhi alguns contos, juntei-lhes um pequeno papelinho: "Gostou de conto que o seu filho leu? Porquê?" e três linhas para o adulto explicar por que tinha ou não gostado. Pequenino o papel e pouco espaço para escrever. Não podia assustá-los pedindo um relatório...
Pensava eu que o terreno estava preparado e que os pais, pelo menos num número aceitável, viriam a aderir à actividade. Enganava-me. Em resposta ao primeiro conto, recebi duas cartas: "a minha mãe disse que aquele espaço não chegava para escrever tudo o que ela queria."; "está com a minha letra, mas foi o meu pai que escreveu e eu copiei para esta folha" (um apontamento pela mão do pai, no fim da página, confirmava). Foi uma surpresa muito grande. Os comentários ao terceiro e ao quarto contos eram já mais elaborados do que os primeiros, que, na maioria, se limitavam a dizer que gostaram porque "era bonito" ou porque "era interessante". Entretanto, começaram a pedir mais, pais e alunos: "a minha mãe já perguntou quando nos dá mais um conto", "a minha irmã diz que já lhe marcou falta".
Poderia dizer que, nesta altura, eu estava em êxtase. Mas ficaria sem palavras para descrever o que senti quando, um dia, a Psicóloga da escola me disse "não sabes o que aconteceu ontem". E contou-me. No dia anterior havia decorrido a primeira sessão de uma acção de formação para os pais e encarregados de educação intitulada "Pais à Medida". Entre outros temas, abordou a necessidade de os pais passarem tempo com os filhos - e de esse tempo ser de qualidade. Um pai concordava, exemplificando com a oferta televisiva, que absorve, tantas vezes para programas desadequados, a atenção das crianças/adolescentes, outro pai completava com os jogos de computador, com a Internet. E foi então que um deles disse: "Agora uma professora tem mandado uns contos para casa, para eles nos lerem. Estamos ali juntos enquanto eles lêem. Os contos são sempre muito bonitos. E depois acabamos por ficar meia hora ou mais a falar daquilo." Outro pai concordava, acrescentava um comentário, uma mãe dizia também qualquer coisa. A Psicóloga confessou: "Eu fiquei pasma a olhar para eles. Deixei-os falar, nem disse nada." E depois acrescentou "Agora sou eu quem quer ler esses contos". Falou-me do entusiasmo com que os pais falavam dos contos, recontavam as histórias, diziam do bem que os contos estavam a fazer aos filhos.
Foi nessa altura que achei que podia começar a pedir comentários mais longos um bocadinho: aumentei o número de linhas de três para seis, nos tais papelinhos que acompanhavam o conto. Os pais corresponderam, tal como eu esperava, escrevendo comentários mais elaborados, mais completos.

Aproximando-se o fim do período, escrevi aos pais e também aos alunos agradecendo a colaboração e pedindo que respondessem a um pequeno inquérito, no sentido de fazer uma avaliação do projecto e da pertinência de lhe dar continuidade no terceiro período. As respostas, que apresento nos gráficos das páginas seguintes, não deixam dúvidas.
Os contos foram um sucesso, dentro e fora da sala de aula. Sobretudo fora da sala de aula, diria.É por vezes muito difícil implementar uma actividade na escola que chegue realmente às casas dos alunos, mas desta vez isso aconteceu de uma maneira muito bonita. Mais ainda por ter sido através da palavra escrita, que tanta reserva suscita em algumas pessoas, de todas as idades.

E, se a participação dos pais foi tão surpreendentemente massiva, parece-me que podemos aprender que, contrariamente ao que por vezes achamos, os pais dos nossos alunos têm muito para dar. Precisam é de uma oportunidade.

mais leituras

Seria muita petulância achar que as minhas leituras foram as ideais, as acertadas, adequadas, em qualidade e quantidade. Em quantidade, por absurdo que pareça, acho que estiveram muito aquém do que eu gostaria. Claro que eu sei que a quantidade é completamente irrelevante, mas, mesmo assim, gostaria de ter sido mais guiada, mais aconselhada, sobretudo durante a adolescência, que é uma fase em que nem sempre se sabe o que se há-de ler. Já não se gosta dos livros de criança, ou já estão lidos, e ainda é cedo para ler os livros ‘de adultos’.

Gostaria de ter escrito aquele texto da Isabel Stilwell, em que ela descreve como as personagens dos mundos encantados dos livros que povoaram a sua infância continuam a fazer-lhe companhia e a alimentar o seu imaginário.

Infelizmente, a minha cultura literária, tenho de confessar, não é tão vasta. Pelo menos no que diz respeito a literatura infantil.

Li mais na idade adulta. Curioso, este pretérito perfeito. Eu continuo na idade adulta, muito a tempo de ler muitas coisas – boas e más. Mas a verdade, facilmente compreensível por quem tiver filhos, grandes ou pequenos, porque todos começaram por ser pequenos, é que tenho lido muito pouco. Gostaria de ler mais. Penso nisso muitas vezes, mas como conseguir tempo? Como conseguir capacidade de concentração ao fim de um dia de trabalho, de correrias para colégios, piscinas, banhos, sopas? É que ler é um exercício de concentração. Claro que também promove a imaginação, ajuda a abstrair das ocupações absorventes do dia-a-dia, a escapar. Mas continua a ser preciso ter alguma capacidade de concentração. Ou, pelo menos, de tempo para que essa concentração surja.

domingo, 18 de abril de 2010

leituras

De repente lembrei-me que tenho uma história parecida com aquela que aparece no início de “O Principezinho”. Lembram-se, quando o narrador, ainda menino, mostrava um desenho a todos os adultos que encontrava e nenhum percebia que se tratava de uma jibóia a digerir um elefante, enquanto o Principezinho nem hesitou na resposta?

Eu estava, na altura, a ler “A História Interminável”, de Michael Ende. É a história de Bastian Baltazar Bux, um rapaz de doze ou treze anos a quem os colegas de escola roubam diariamente o lanche, dinheiro, o que puderem. Num desses dias, tentando fugir-lhes e depois de se ter escondido num contentor de lixo, abre a primeira porta que encontra e entra – para, mais uma vez, se esconder dos colegas. Sem saber, aquela porta abre a loja de um alfarrabista velho e rabugento. Bastian é um amante de livros, uma criança que devora livros em todos os locais e a todas as horas. Ver-se de repente num alfarrabista dá-lhe a sensação de ter entrado no paraíso propriamente dito. O velho está sentado a uma mesa a ler um livro que parece muito antigo e, claro, Bastian não consegue deixar de perguntar que livro é aquele. Numa resposta evasiva, o velho diz-lhe que é um livro perigoso, que ele não deve ler. De repente, toca o telefone, num escritório na parte de trás da loja e o alfarrabista afasta-se para atender, não sem antes recomendar que Bastian podia pegar em qualquer livro, menos naquele. Ora aqui está a última coisa que se pode dizer a uma pessoa completamente viciada em livros. Bastian não pensa duas vezes: agarra no livro e foge porta fora. Refugia-se no sótão da escola e começa a ler. Como leitor compulsivo que é, Bastian perde a noção do tempo e passa ali horas e horas, a ler, longe de tudo e de todos, concentrado apenas nas páginas do livro.

Este, por sua vez, é giríssimo, porque está impresso a duas cores: bordeaux para o que se passa na Terra, com Bastian, verde para o que se passa no reino de Fantasia, para onde Bastian é transportado através da leitura. Sensivelmente a meio da história, Bastian é chamado, por ser aquele que está neste momento a ler o livro, a resolver um problema que está a colocar em causa a continuidade da existência do próprio reino de Fantasia: a Imperatriz Menina está a morrer e precisa de um novo nome. Meio incrédulo, Bastian lá pronuncia em voz alta, tal como o livro exige, o nome que escolheu e é imediatamente transportado para o reino de Fantasia, onde vive as mais fantásticas aventuras, de todos os tipos.

Eu tentava, a meio da minha leitura, não tão mágica, apesar de tudo, explicar a história a um adulto, que prontamente me respondeu: “se é em fantasia, não existe”. “Existe, insisti, existe porque ele vai para lá.” Perante a “razão” que eu compreendia que o adulto tinha e a sua aparente incapacidade de compreender a razão que eu tinha, preferi calar-me, pensando que ele seria bem mais feliz se tivesse lido um livro como aquele quando era criança.

quarta-feira, 10 de março de 2010

a frase

Inner Strength is the pillar that sits below and props you up, it is the true strength that keeps you going, and you have it.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010