Woman reading

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Alexander Deineka
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domingo, 10 de junho de 2012

surprise, surprise!

Uma amiga puclicou no Facebook que este livro estava baratíssimo. Dada a publicidade que todas elas tinham feito, apressei-me a anunciar que ia finalmente comprá-lo. Só que o preço para tristes europeus não tinha descido assim tanto... E lá anunciei que ficaria para outra vez...
Ela, que tinha ficado toda contente, porque os nossos gostos costumam coincidir, pediu-me o meu endereço de email e disse que mo enviava. (Ela conhece uma maneira que eu não conheço.)
Qual não é o meu espanto quando, pouquíssimos minutos depois, recebo um presente. Um mail da Amazon com o livro prontinho, só pra mim! Bastou ligar o Kindle e já lá estava! (Eu contava que tivesse sido de outra maneira...)
Adoro estas novas tecnologias.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

e-books, o veredicto


Depois de muita hesitação, muita pesquisa, muita hesitação, lá me decidi. Comprei um Kindle, como é do conhecimento geral. Vai pra dois anos. Ao fim de dois anos já se pode fazer um balanço? Pode pelo menos fazer-se um balanço destes dois anos, digo eu. Então cá vai.


1. Tenho lido muito mais. Embora não esteja nem perto do número de livros que lia na minha outra encarnação (leia-se antes de ter filhas), a verdade é que tenho lido muito mais do que nos dois anos anteriores. Um dos motivos está relacionado com o número dois.


2. É muito mais portátil do que um livro. Muito mais. Logo para mim, que sou mais que maníaca no que diz respeito à boa utilização dos livros. A sério: acabo de ler um livro e ele está tão impecável como na prateleira da livraria. O que não aconteceria se andasse com ele na carteira o dia todo. O Kindle anda na carteira, sempre, devidamente protegido com uma capa fantástica e não fica amolgado, amassado, cantos dobrados, nada disso. E, melhor ainda: não é um livro, mas centenas deles. Bem mais de quatrocentos. O que é particularmente importante quando se vai de férias e se tem de levar uma quantidade enorme de livros para as meninas, para o marido... Pelo menos os meus não ocupam espaço e tenho um leque de escolha muito mais vasto.


3. Não é preciso carregar. Praticamente. Uma das dificuldades na determinação do tempo de duração da bateria do Kindle é precisamente o facto de os utilizadores frequentemente não se recordarem da última vez que o carregaram.


4. Tal como num livro físico, não há factores de distração, como as notificações a dizer que não-sei-quem comentou não-sei-quê no Facebook, um pii a dizer que chegou um mail, nada disso. Estou a falar de um aparelho para ler livros apenas e só, um daqueles que, como disse o Miguel Esteves Cardoso, não é para quem não gosta de ler.


5. É muito mais confortável do que um livro para ler na cama. Por causa do virar da página, por causa da página da esquerda e da página da direita. Mas sobretudo no Inverno, quando está frio. Nem é preciso tirar a mão do quentinho.


6. Mas. Há sempre um mas. Recordo a pergunta esapafúrdia da minha (não muito) saudosa professora de Português do sétimo ano, enquanto conversávamos sobre o que eu tinha lido durante as férias: "E recordas-te de algum título?" Hein?! Se me recordava de algum título? Só de todos. E de todos os autores. Pois, esta parte não é assim tão fácil com o Kindle. Quando o bicho adormece, fica a contemplar-nos o retrato de um escritor famoso. Clássico. Já morto. Há duas ou três outras imagens, mas nada mais. Muitos têm sugerido que o protector de ecrã seja a capa do livro que se está a ler e eu começo a concordar completamente. Mais: peço que assim seja. É terrível gaguejar no nome de um autor, muitas vezs de um livro que se está a adorar e só consigo explicar que isto me aconteça porque não vejo a capa do livro. Parece pieguice, mas a sério que não é. De certa forma, os livros tornam-se impessoais. Como se não tivessem rosto. E não é por não se passar a página com os dedos, mas com um clique, não é pelo cheiro, que também faz falta mas não é bem assim. É mesmo o rosto que lhes falta.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

é um livro...


O meu comentário é... Pois... (mas não digam a ninguém.)
Agora a sério: o livro é giríssimo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

now I know why...


No person who can read is ever successful at cleaning out an attic.  ~Ann Landers

segunda-feira, 27 de junho de 2011

livros e mais livros


Num apartamento onde vivem quatro pessoas (dois adultos e duas crianças), quatro dos quais viciados em livros, sim, quer dizer, todos, por junto, a coisa torna-se complicada.
Mesmo tratando-se de um apartamento grande, mesmo que haja estantes - os tais elementos de decoração mais-belos-do-que-todos-os-outros - na sala, no esctitório, no quarto de brinquedos, mesmo que se amontoem livros nas mesinhas de cabeceira, nas cómodas, na credência da entrada, mesmo assim a coisa é complicada.
(Nota: o segundo vício complicado conta mais de 4000 CDs. Sim, quatro mil.)
O problema, dizia, é complicado. E tende a agravar-se. Sim, e a breve trecho. Eu explico.
As duas crianças ainda não lêem. São viciadas em livros... que nós, os adultos, lhes lemos. Não passam sem uma história, um conto, um livro (ou dois, ou dez) todas as noites antes de adormecer. Pelo menos antes de adormecer. E têm. Esse tempo é delas. Por muito trabalho que tenhamos para fazer, por muito tarde que nos deitemos depois, porque ficaram pontas soltas (contos, testes, normalmente, mas de tudo). À hora de deitar somos delas. E lemos. E conseguimos fazer com que elas gostassem tanto que não passam sem.
Para já, somos nós que lemos, mas em Setembro uma começa a escola, o que quer dizer, espero, que vai ler mais. Vai deixar de precisar do adulto como intermediário. E a outra não vai querer ficar para trás, cheira-me.
A situação não é bem "não cabe nem mais um livro". É mais "não cabe nem mais uma folha de papel..."
Lá em casa, as estantes estão cheias. O que quer dizer: há duas filas de livros em cada prateleira, há livros por cima dos livros. Há livros em cima das estantes. Há lirvos... (Não, não temos livros a calçar mesas, isso não.)
É um problema. Mas é um doce problema.

livros

Os livros.
Os livros são uma parte tão importante da minha vida que não saberia viver sem eles.
Dizia Jorge Luis Borges que imaginava que o paraíso fosse assim uma espécie de biblioteca. É isso. O paraíso é uma biblioteca, uma livraria, uma feira do livro - livros. O paraíso é feito de livros.
Cresci rodeada de livros e das histórias do avô, que lia os romances de Camilo noite fora. Queimava uma vela inteira a ler, só depois se deitava. E de dia - lia. Só uma forte chuvada o fazia abandonar o livro, para pegar num guarda-chuva e andar pela quinta. Temos de concordar: o cheiro da terra molhada da chuva é delicioso.
E o cheiro dos livros? Oh, o cheiro dos livros! Então daqueles que já passaram anos nas prateleiras, já foram lidos por muitas pessoas, folheados por muitas mãos. Já repararam que quanto mais folheado um livro é, mais fácil de folhear se torna? Experimentei com a minha gramática de Latim. No início, era muito complicado abrir naquela página. Passado pouco tempo, as folhas já eram minhas, já passavam sozinhas.
Mas estava a falar de livros. Daqueles que contam histórias, histórias que nos prendem até não sabermos que horas são, onde estamos, aqueles que lemos de um fôlego, por não ser possível parar.
Hello, my name is Eduarda and I am a bookaholic.
É muito isso.
Uma vez, ao entrar numa feira do livro, no Porto, onde estudava, fui ao multibanco e levantei dez contos - sim, no saudoso tempo dos contos. Obriguei-me a jurar a mim própria que não gastaria mais do que aquele montante. O segundo pagamento teve de ser com cartão. Where is human nature so weak as in the bookstore? Reconheço: sou um perigo, quando entro numa livraria. E então numa feira do livro...
Leio, leio, leio. Sempre que posso. Mas não qualquer coisa. Gosto de ler na sala de espera do dentista, como toda a gente, mas nem aí me serve a chamada literatura de cordel. Ou os livros daqueles autores, quase sempre mulheres, que publicam um livro por ano. Não gosto de literatura de panela de pressão. Como a comida, os grandes livros cozinham-se a fogo lento. Depois de marinar a história num tempero como deve ser. porque os grandes livros não são necessariamente os que contam grandes histórias - mas os que as contam magistralmente.
Estantes para livros são a peça de decoração mais bela que pode existir numa casa. A sério. Lembro-me de visitar a casa de um casal amigo, era eu ainda pequenita, e de ter comentado com o meu pai, à saída, que não havia livros naquela casa. Era verdade: na sala havia prateleiras, mas o número de livros devia ser menor do que o número de dedos das mãos.
Gosto de ver livros quando entro numa casa. Gosto de ver pessoas a ler - no café, na paragem do autocarro, nas salas de espera. Mas é tão raro. E tenho de me segurar para não perguntar que livro é aquele.
É por isso que gosto de comparar a aprendizagem da leitura a um renascimento. Quando uma criança aprende a ler, ela renasce. Abre-se para ela um mundo inteiro que antes lhe estava vedado por não saber decifrar a palavra escrita. E depois a leitura torna-se num acto reflexo. Quem não lê os letreiros todos, nas lojas por que passa à ida para o trabalho, num passeio pela cidade? E o que dizem? Nada. Pelo menos, nada que não saibamos que está lá escrito: Pão de Ló, Bolo Rei, Vende-se, Saldos, Pão Quente, etc, etc, etc. A quem interessa ler isto? Mas a verdade é que lemos. Juntamos as letras.
Quando estive na Hungria, tinha quinze anos, o que mais me custou - mais do que não perceber nada do que diziam, mais do que não conseguir tomar o pequeno-almoço num café, por manifesta falta das coisas complicadas que as pessoas normais tomam ao pequeno-almoço, tipo pão com manteiga - o que mais me custou foi não conseguir juntar as letras para formar palavras.
Podem chamar-me exagerada, mas ler diariamente com as minhas filhas é, para mim, uma religião. E a verdade é que a mais velha, que inicia em Setembro a escola primária, já se impacienta por precisar de um adulto como intermediário entre ela e o livro. Excellent parenting.
Os livros. E os marcadores de livros. E agora os colares da imagem... com livros.
I need therapy.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

o que lemos?

Discute-se fervorosamente, num grupo privado no Facebook, o que se lê.
É raro. Estes grupos tendem a ser muito amigáveis e, como são compostos por pessoas muito diferentes, com gostos literários também diferentes, não costumamos alimentar discussões sobre o que vale ou não a pena ler. Cada qual lê aquilo de que gosta e não é criticado por ninguém. Aliás, há umas semanas eu coloquei neste mesmo grupo um post a dizer que a autora de um livro que detestei estava a anunciá-lo por muito pouco dinheiro - tipo menos de um dólar - na página Amazon Kindle e, de imediato estava uma amiga a agradecer.
Hoje, para variar, discute-se autores e géneros.
Eu sou esquisita, vou avisando. Leio Literatura. Asim, com letra maiúscula. Leio aqueles livros que chegaram ou chegarão às aulas de literatura. Não sou uma intelectual barata, mas sou difícil de satisfazer. Nem leio só os clássicos, longe disso. Li poucos clássicos, para ser verdadeira... Tenho vergonha, a sério.
Diz a Agustina Bessa-Luís que quem não escreve sobre a sua infância não escreve verdade. Achei que fazia sentido, mas depois li Viver para Contá-la, do Gabriel García Márquez, o meu escritor preferido, e percebi que era verdade. Os livros dele estão lá todos. Quer dizer: encontrei, na autobiografia dele, todas as histórias que já tinha lido.
Deixo-me levar por primeiras frases. Adoro primeiras frases.
Muitos anos mais tarde, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde longíqua em que o pai o levou a conhecer o gelo.
It is a truth universally aknowledged that a single man in possession of a good fortune must be in want of a wife.
Faz-me aranhas.
O grande livro não é aquele que conta uma grande história, mas aquele que a conta magistralmente.

a fada desastrada

Tu sabes que as fadas são lindas e prendadas. Mas a Fada desastrada nasceu errada...
Era feia, gorda, desajeitada. O penteado estava sempre desmanchado. Trazia o manto do avesso e tinha um sorriso tão travesso!... Era traquina como qualquer menina e era até capaz de ter traquinices de rapaz. Atirava fisgadas às pessoas despreocupadas, puxava o rabo ao gato... Era um desacato!

Segundo o teste que pode encontrar aqui, eu pertenço à categoria de "Mamã Fada", aquela que conversa com a Mamã Coca-Cola ao telefone com uma mão, enquanto faz o jantar com a outra, no livro "Um Mundo de Mamãs", que é maravilhoso.
Não sei se sou. Tal como Sócrates - não este, aquele... - só sei que nada sei. Tento, como todas nós, fazer o melhor que posso ou sei, mas às vezes (muitas vezes) posso muito pouco, sei ainda menos.

Acho que sou mais como a fadazinha da Renata Gil: desastrada.
É um dos contos mais bonitos que já li. Está bem, eu sei: tenho imensos nesta categoria... Mas a sério: é tão bonito! Todo ele em prosa, todo ele rima.
É o texto do teste que vou dar na quinta-feira aos meus meninos do quinto ano - acabei de o fazer agora, por isso o tenho tão presente. E, como quem se desculpa, não reisto a mais um excerto. Desculpem lá.

Bem, eu estava destinada a ser um modelo de perfeição, mas nunca mais nascia, e quando "cá cheguei" já era quase dia! As fadas estavam ensonadas e as palavras saíram-lhes erradas! Nem me tocaram com a estrela da varinha, como convinha, mas com o lado oposto! A mim, até me dava gosto fazer o que me apetecia... e quando via as outras admiradas... dava gargaladas!