Scenario 1:
Jack goes quail hunting before school and then pulls into the school parking lot with his shotgun in his truck's gun rack.
1957 - Vice Principal comes over, looks at Jack's shotgun, goes to his car and gets his shotgun to show Jack.
2011 - School goes into lock down, FBI called, Jack hauled off to jail and never sees his truck or gun again. Counselors called in for traumatized students and teachers.
Scenario 2:
Johnny and Mark get into a fist fight after school.
1957 - Crowd gathers. Mark wins. Johnny and Mark shake hands and end up buddies.
2011 - Police called and SWAT team arrives -- they arrest both Johnny and Mark. They are both charged with assault and both expelled even though Johnny started it.
Scenario 3:
Jeffrey will not be still in class, he disrupts other students.
1957 - Jeffrey sent to the Principal's office and given a good paddling by the Principal. He then returns to class, sits still and does not disrupt class again.
2011 - Jeffrey is given huge doses of Ritalin. He becomes a zombie. He is then tested for ADD. The family gets extra money (SSI) from the government because Jeffrey has a disability.
Scenario 4:
Billy breaks a window in his neighbor's car and his Dad gives him a whipping with his belt.
1957 - Billy is more careful next time, grows up normal, goes to college and becomes a successful businessman.
2011 - Billy's dad is arrested for child abuse, Billy is removed to foster care and joins a gang. The state psychologist is told by Billy's sister that she remembers being abused herself and their dad goes to prison. Billy's mom has an affair with the psychologist.
Scenario 5:
Mark gets a headache and takes some aspirin to school.
1957 - Mark shares his aspirin with the Principal out on the smoking dock.
2011 - The police are called and Mark is expelled from school for drug violations. His car is then searched for drugs and weapons.
Scenario 6:
Pedro fails high school English.
1957 - Pedro goes to summer school, passes English and goes to college.
2011 - Pedro's cause is taken up by state. Newspaper articles appear nationally explaining that teaching English as a requirement for graduation is racist. ACLU files class action lawsuit against the state school system and Pedro's English teacher. English is then banned from core curriculum. Pedro is given his diploma anyway but ends up mowing lawns for a living because he cannot speak English.
Scenario 7:
Johnny takes apart leftover firecrackers from the Fourth of July, puts them in a model airplane paint bottle and blows up a red ant bed.
1957 - Ants die.
2011 - ATF, Homeland Security and the FBI are all called. Johnny is charged with domestic terrorism. The FBI investigates his parents - and all siblings are removed from their home and all computers are confiscated. Johnny's dad is placed on a terror watch list and is never allowed to fly again.
Scenario 8:
Johnny falls while running during recess and scrapes his knee. He is found crying by his teacher, Mary. Mary hugs him to comfort him.
1957 - In a short time, Johnny feels better and goes on playing.
2011 - Mary is accused of being a sexual predator and loses her job. She faces 3 years in State Prison. Johnny undergoes 5 years of therapy.
Woman reading
Alexander Deineka
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
sábado, 1 de outubro de 2011
a felicidade
I would be most content if my children grew up to be the kind of people who think decorating consists mostly of building enough bookshelves.
Anna Quindlen
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
feliz ano novo!
Esta altura do ano é sempre emocionante. A minha preferida.O cheiro a novo dos livros e cadernos, os lápis novos, as canetas por estrear, os porta-lápis imaculados, o regresso à rotina, aos amigos, os professores novos, os já conhecidos...
É nesta altura que, há mais de trinta anos, faço a minha lista de resoluções de ano novo. Eu sei que costuma ser em Dezembro, mas na verdade, para quem vive da escola, para a escola, os anos que contam são os anos lectivos - não os civis.
E todos os anos faço promessas que cumprirei à risca, prometo a mim própria, ao longo de todo o ano. Durante doze anos, fiz esta lista na qualidade de aluna. Desde há quinze anos, na qualidade de professora. Mudou a posição, mas não mudou a lista, pelo menos não no essencial. E só agora me apercebo de que o meu lombo já leva mais anos deste lado da barricada do que do outro.
Então cá vai a lista:
1. Este ano não vou deixar trabalho acomular.
2. Não vou deixar trabalhos de casa para a última hora, e muito menos por fazer.
3. Vou ter as minhas coisas organizadas - sobretudo os papéis.
4. Não andarei com coisas desnecessárias na pasta.
5. Vou acordar a horas, para não andar a correr de manhã.
Pois. Dizem que o ano novo acabou quando os ex-fumadores voltam a fumar.
Ainda o primeiro período não vai a meio e a situação é mais ou menos a seguinte:
1. Actas de departamento e de conselho de turma atrasadas. (Respectivos presidentes atrás de mim, impacientes.)
2. O teste é dentro de dois dias e ainda nem escolhi o texto.
3. Nem pus os testes nos dossiers (agora enviamos por mail), nem deitei fora os rascunhos das correcções, nem arrumei as fichas em que peguei para tirar fotocópias. (Está tudo acumulado no escritório, numa desordem em que me entendo perfeitamente, mas que odeio.)
4. Tenho tudo metido na pasta, que pesa tanto que já me rendeu tendinites e espondilites. As coisas de que preciso, as de que precisei, as de que posso vir a precisar, as completamente inúteis.
5. Acordo a horas, mas não saio da cama até ser demasiado tarde. Ando sempre a correr e começa a acontecer-me o impensável: o pequeno almoço, por vezes, é um leite chocolatado tomado no carro, a caminhpo da escola.
Este ano é diferente. Não só eu começo um novo ano lectivo, mas também a minha filha começa o seu primeiro ano de escola. Além daquelas observações idiotas que todas fazemos nestas alturas, como "o tempo passou tão depressa", "já está crescida", etc, debato-me com dúvidas existenciais mais sérias.
E a mais sincera, a mais profunda, é esta: serei capaz?
Quero que ela tenha um dia-a-dia calmo, que lhe permita cumprir as suas tarefas escolares com eficiência, mas que não lhe roube a infância, o tempo para brincar.
Ela tem capacidades que lhe permitirão obter sucesso nos estudos, mas há uma parte que tenho de ser eu a fazer. A maior parte, a mais importante. Ela vai passar 700 horas na escola ao longo deste ano. Mas vai passar 8000 em casa, o que é muito mais, portanto a bola está no meu campo.
E então vem ao de cima a síndrome de Peter Pan, o menino que não queria crescer.
Este ano, acho melhor resumir a minha lista de resoluções de ano novo:
Ponto único: Time to put on your big girl pants.
Está na hora de crescer.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
que aula...
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011
a fada das flores
Lá dizia Jung: não há acasos, mas coincidências significativas.
Um Sábado de manhã, a minha grande queria um sumo e um pão com fiambre. A minha irmã, que estava com ela, trocou uma esplanada na Oliveira por um café conhecido, onde confiava mais no fiambre. Na mesa ao lado (umas mesas pequeninas, que já eu adorava quando as minhas pernas não tinham tamanho para mais) sentou-se uma senhora com a filha. Vinham da biblioteca e traziam livros que satisfizessem a pequena futura leitora durante a semana toda.
Palavra puxa grunhido, veio à baila a chupeta, companheira inseparável, naquela época, da minha grande, então ainda com 3 anos. A mãe da Fabiana (se a memória não me falha) contou que a filha tinha dado a chupeta à fada e recebido um presente em troca.
Uma rápida troca de olhares com a minha irmã e uma decisão: se funcionou com ela, também vai funcionar com a nossa.
Iniciámos o processo de mentalização, que levou umas semanas. Comprámos a prenda: um fabuloso livro sobre o Mundo das Fadas, que ficou à espera que ela decidisse. Demorou, até porque sabia que não tinha retorno, embora não percebesse muito bem o que isso queria dizer.
Chegou o dia. Na noite de 25 de Janeiro de 2009, a corajosa pegou numa caixa, colocou lá a chupeta (as outras duas fizeram cada sua aparição perigosamente fantástica uns dia/semanas depois), pôs no parapeito da janela, pediu o biberão de leite, para substituir, percebem?, é que naquela época costumava ser difícil dar-lhe o leite se não estivesse a dormir. Correu tudo às mil maravilhas, mais a troca da caixa pelo livro, que fez as delícias dela ao acordar.
Claro, correram menos bem as duas noites seguintes, mas já estava, a Fada tinha levado, já estavam transformadas em flores, não havia nada a fazer. É que isto de deixar a chupeta é como deixar de fumar: não se pode vacilar, nada de cair na tentação...
Agora era a vez da pequenita. Mas esta é diferente. A outra vive mais de fantasia, enquanto esta sabe muito bem o que quer, que é como quem diz: só faz o que lhe apetece e faz tudo o que lhe apetece. Tudo.
Havia quem não acreditasse que ela caísse no conto do vigário.
Mas.
Ontem à noite, quis ver, ou eu quis que ela visse, já nem sei, o famoso livro que a fada tinha trazido à irmã. Estávamos sozinhas, pelo que o tempo era nosso. O pó de fada na capa, as chupetas transformadas em flores, as roupas das fadas, a fada dos dentes...
Até que...
- Eu vou dar a chupeta à Fada.
- Vais? Muito bem! Quando?
- Agora. (a resposta costumava ser aquele "amanhã" que quer dizer qualquer dia, num futuro longínquo)
- Agora? Tens a certeza? Olha que a Fada não volta a trazer as chupetas...
- Vai buscar a caixa.
Obediente, lá fui. Levei-lhe a caixa, com todas as chupetas (umas seis ou sete), lá adicionou a que estava de serviço e foi pôr a caixa no parapeito da janela - a mesma janela de há dois anos e meio.
- Pronto. Fica aqui.
- Que linda! Estás uma crescida! És a minha grande! Estou muito orgulhosa de ti!
Estava com tanto sono que praticamente adormeceu antes de acabar o Boa Noite Ursinho, o nosso livro de dormir preferido.
Acordou de manhã num pranto tal que houve quem pensasse que tinha caído abaixo da cama. Não queria saber de fada nenhuma, nem de prendas, nem de nada. Queria uma chupeta e pronto!
Mas não era possível. Já tinham ido, a esta hora já deviam ser flores no país das fadas.
Só acalmou com um biberão de leite, deitada no sofá a ver desenhos animados.
Entretanto, chegou a avó e só um bom pedaço depois acedeu a ir ver se a fada tinha trazido alguma coisa.
E tinha. Um livro, as tais "18 Histórias de Fadas e Princesas", umas coisas giras penduradas nas cortinas e na cama, umas receitas de comida da terra das fadas e... uma carta de felicitação e agradecimento!
Um delírio!
Já descobrimos, hoje, mais flores no livro do Mundo das Fadas da irmã. Não estavam lá ontem, portanto têm de ser as novas, feitas com as chupetas de ontem à noite. A paisagem está diferente, sem dúvida.
Claro que o deitar já deu direito a choradeira, amanhã também vai dar, mas o difícil já está. E é a tal história do cigarro. E, como diz uma psicóloga amiga: custa-nos mais a nós do que a eles.
(Nota: Agora passei a acreditar naquele teste mais que científico que diz que eu sou uma mamã fada. É que ela apanhou-me desprevenida. Tive de improvisar mesmo a sério. Por sorte, o Pai Natal tinha deixado uns livros esquecidos no meu roupeiro e - valham-me as coincidências significativas - um deles era a propósito. E depois, valeu-me a Internet e a impressora: fiz uns prints, uns recortes, umas dobragens, socorri-me de uns clips e deitei-me às 3 da manhã. Valha a verdade: somos, sou, pelo menos eu, muito mais cuidadosas com o primeiro filho do que com o segundo...)
(Nota 2: Estou a considerar seriamente a hipótese de falar com a fada acerca do biberão. Com a mais velha funciona pela certa. Até os olhos lhe brilharam quando coloquei a questão. "Será que dá? Em que transformarão? Árvores? Casas?" Acho que vai ser por aqui...)
(Nota 3: Logo hoje, na Zara Home, tinham de ter na montra lençóis com fadas. E candeeiro de cabeceira, mala, cesto de papéis... Lindos. Mas os lençóis tinham medida de berço, não de cama de gente. Traição. Fiquei-me por um conjunto prato/taça/copo para cada uma...)
terça-feira, 28 de junho de 2011
e agora?
Eu pensei que isto nem fosse possível. Aliás, eu já nem sequer pensava nesta hipótese.
Acabo de receber um telefonema. A minha filha entra na escola que eu queria. Não na escola da minha área, mas na escola que eu queria. E eu que até já a inscrevi no Colégio...
Vamos por partes.
Vantagens do Colégio:
É à porta fechada, vai ter um bom professor, há muita disciplina, regras.
Desvantagens do Colégio:
Mensalidade de € 210, que inclui apenas a leccionação (mais € 50 para o almoço, mais € 20 para o lanche, mais o prolongamento, que não me lembro de repente quanto é), até certo ponto não sei se se batem pela excelência propriamente dita ou mais pela fama de que é difícil. Sai todos os dias às 16:30.
Vantagens da escola pública:
Sai às 15:30 pelo menos alguns dias por semana, o que permite piscina e Inglês mais cedo, está entre pessoas mais "normais".
Desvantagens da escola pública:
O intervalo para almoço é mais curto, pode impossibilitar o almoço em casa.
Que faço?
Acabo de receber um telefonema. A minha filha entra na escola que eu queria. Não na escola da minha área, mas na escola que eu queria. E eu que até já a inscrevi no Colégio...
Vamos por partes.
Vantagens do Colégio:
É à porta fechada, vai ter um bom professor, há muita disciplina, regras.
Desvantagens do Colégio:
Mensalidade de € 210, que inclui apenas a leccionação (mais € 50 para o almoço, mais € 20 para o lanche, mais o prolongamento, que não me lembro de repente quanto é), até certo ponto não sei se se batem pela excelência propriamente dita ou mais pela fama de que é difícil. Sai todos os dias às 16:30.
Vantagens da escola pública:
Sai às 15:30 pelo menos alguns dias por semana, o que permite piscina e Inglês mais cedo, está entre pessoas mais "normais".
Desvantagens da escola pública:
O intervalo para almoço é mais curto, pode impossibilitar o almoço em casa.
Que faço?
que alívio!
Consegui. Finalmente. E não, não é uma vitória de pirro. A Pipi desapareceu.
Existem duas versões. A primeira, que era para ser a oficial, dizia que os DVDs tinham ido de empréstimo para o filho de uma amiga da minha irmã. A segunda, que a minha mãe adiantou quando a piquena perguntou, diz que foram para limpar, que estavam muito sujos e blá blá blá.
Não interessa nada qual é o motivo. O que interessa é que desapareceu. E não, não me parece que consigam voltar a convencer-me a deixá-la voltar.
No regresso a casa, foi tema de conversa:
- Sabes que idade ela tem?
- Não.
- Nove. E o Tommy também. A Anica tem oito. Mas a Pipi é mais velha, porque faz dez anos no filme da neve.
- Então ela já tem dez anos e ainda não sabe ler? Acho isso muito estranho, não é?
- É, ela ainda não sabe ler. Não vai à escola.
- Tu sabes em que ano vais andar quando tiveres dez anos? No quinto ano! Imagina: já terás feito toda a primária e já estás numa escola como a minha e a da Nonó, no quinto ano.
- A sério? E ela ainda nem sabe ler.
- Pois. E nem sabe a tabuada nem nada. Não acho isso nada bem.
Concordou comigo, a minha grande. A Pipi não é modelo em tudo.
E eu estou feliz com o desaparecimento desta hippie em formato pré-adolescente. Pelas asneiras, pelos exemplos perigosos, pela música...
quarta-feira, 22 de junho de 2011
um buraco, por favor...
Era uma vez um grupo de imigrantes ucranianos.
É de prever que tenham dificuldades económicas, todos têm. Que outro motivo poderia levar um médico, um engenheiro a trabalhar na construção civil, em bombas de gasolina a abastecer veículos ou a lavar carros?
Ora os indivíduos em questão sentaram-se a uma mesa a conversar, fizeram contas, mediram os sacrifícios e acharam que sim, podia ser.
O assunto que debatiam devia ser motivo para todos os portugueses esconderem a cara num buraco: eles fizeram contas e mais contas ao pouco dinheiro que têm para, por fim, decidirem contratar um professor que desse aulas suplementares de Matemática aos seus filhos. Estavam alarmados com a maneira como a Matemática (não) é ensinada em Portugal.
Pois é. Os imigrantes ucranianos vêm de um país muito pobre, que conhece a liberdade há muito pouco tempo, portanto sabem que a única coisa que nos pode valer quando tudo o resto falhar é o conhecimento. São imigrantes, sujeitam-se a trabalhos precários, mas têm formação e não é uma formação qualquer: medicina, engenharia... Formação da a sério, da que só se consegue estudando muito.
Ao portuga o que interessa é safar-se.
É de prever que tenham dificuldades económicas, todos têm. Que outro motivo poderia levar um médico, um engenheiro a trabalhar na construção civil, em bombas de gasolina a abastecer veículos ou a lavar carros?
Ora os indivíduos em questão sentaram-se a uma mesa a conversar, fizeram contas, mediram os sacrifícios e acharam que sim, podia ser.
O assunto que debatiam devia ser motivo para todos os portugueses esconderem a cara num buraco: eles fizeram contas e mais contas ao pouco dinheiro que têm para, por fim, decidirem contratar um professor que desse aulas suplementares de Matemática aos seus filhos. Estavam alarmados com a maneira como a Matemática (não) é ensinada em Portugal.
Pois é. Os imigrantes ucranianos vêm de um país muito pobre, que conhece a liberdade há muito pouco tempo, portanto sabem que a única coisa que nos pode valer quando tudo o resto falhar é o conhecimento. São imigrantes, sujeitam-se a trabalhos precários, mas têm formação e não é uma formação qualquer: medicina, engenharia... Formação da a sério, da que só se consegue estudando muito.
Ao portuga o que interessa é safar-se.
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terça-feira, 21 de junho de 2011
o nosso ministro
Criaram no Facebook um grupo: "Nuno Crato a Ministro da Educação". Rapidamente adquiriu mais de meio milhar de seguidores, o que indicava que não - o Nuno Crato não seria Ministro da Educação, apesar do apoio recebido na rede social, até porque este apoio de rede social, se contar, é para trás.
Mas eis que.
Nuno Crato acaba de tomar posse como Ministro da Educação.
É bom demais para ser verdade.
Desde logo, espanta, até certo ponto, pelo menos a uma comum mortal que não o conhece a não ser de algumas coisas que vai lendo, vendo, ouvindo, que ele tenha aceitado o cargo. Primeiro, porque é de pensar que ele está acima destas coisas mesquinhas de ser ministro, de fazer parte do Governo. Em segundo lugar, porque não precisa deste cargo para nada: é mais do que respeitado, ninguém se atreve a contradizê-lo (como poderiam?). E depois porque o que ele diz é demasiado incómodo para o quererem para ministro. (Implodir o Ministério da Educação, lembram-se?)
Donde: ou a ideia é cortar-lhe as pernas (e a voz) de vez, encostá-lo a um canto, caso em que, ou muito me engano, ou ele demite-se não tarde nada, ou então temos, pela primeira vez desde que me lembro, um Governo que está seriamente preocupado com a educação no nosso país, com a educação dos nossos filhos, um Governo que está a falar a sério: de mudança.
"As Provas de Aferição são uma anedota." - sic, palavras do novo ministro. Já avisei os meus alunos. No próximo ano os cabeçalhos das provas mudam. Passam a dizer Exame. A sério que acho isto: quem tem a temer, neste momento, são os alunos - não os professores. Nós podemos até ter de trabalhar mais, mas eles vão ter de pedalar como nunca sonharam.
O novo ministro defende os exames. E a autonomia das escolas. Concordo com ambos: cada escola sabe o que é melhor para os seus alunos muito melhor do que qualquer ministério sediado na capital, tão longe daquilo a que nos habituámos a chamar Portugal real. Falo por experiência própria: a "minha" escola fica no meio de nenhures, alguns alunos acabam o nono ano e têm medo de ir estudar para Guimarães: a cidade é grande, não conhecem, têm medo de se perderem. Ou vão ter um afilhado e, entre a escola e o trabalho, optam pelo último: sempre terão dinheiro para lhe dar prendas. Quanto aos exames, parecem-me essenciais para devolver credibilidade ao sistema educativo. Vivemos uma era de facilitismo: um aluno que "queira" reprovar tem de meter requerimento, de preferência em papel azul de vinte e cinco linhas - aquele que já nem há. Só assim - responsabilizando os alunos pelo seu (in)sucesso escolar é que as coisas poderão mudar para melhor. Os alunos têm de deixar de ser os "coitadinhos". Não podemos dizer que, à luz da lei, a passagem de ano seja automática, claro que não, mas a verdade é que reprovar é cada vez mais difícil. E um Zequinha que já tenha uma reprovação na mochila só muito dificilmente terá segunda. Ou então... que seria das estatísticas?
É precisamente aqui que reside a minha esperança no novo ministro: ele não quer saber de estatísticas. Ele está preocupado com os resultados reais. E sabe que, para melhorar, primeiro tem de piorar. Vão chumbar muitos meninos - até ao dia em que perceberem que têm de estudar e, então, regressarão as boas notas.
Mas eis que.
Nuno Crato acaba de tomar posse como Ministro da Educação.
É bom demais para ser verdade.
Desde logo, espanta, até certo ponto, pelo menos a uma comum mortal que não o conhece a não ser de algumas coisas que vai lendo, vendo, ouvindo, que ele tenha aceitado o cargo. Primeiro, porque é de pensar que ele está acima destas coisas mesquinhas de ser ministro, de fazer parte do Governo. Em segundo lugar, porque não precisa deste cargo para nada: é mais do que respeitado, ninguém se atreve a contradizê-lo (como poderiam?). E depois porque o que ele diz é demasiado incómodo para o quererem para ministro. (Implodir o Ministério da Educação, lembram-se?)
Donde: ou a ideia é cortar-lhe as pernas (e a voz) de vez, encostá-lo a um canto, caso em que, ou muito me engano, ou ele demite-se não tarde nada, ou então temos, pela primeira vez desde que me lembro, um Governo que está seriamente preocupado com a educação no nosso país, com a educação dos nossos filhos, um Governo que está a falar a sério: de mudança.
"As Provas de Aferição são uma anedota." - sic, palavras do novo ministro. Já avisei os meus alunos. No próximo ano os cabeçalhos das provas mudam. Passam a dizer Exame. A sério que acho isto: quem tem a temer, neste momento, são os alunos - não os professores. Nós podemos até ter de trabalhar mais, mas eles vão ter de pedalar como nunca sonharam.
O novo ministro defende os exames. E a autonomia das escolas. Concordo com ambos: cada escola sabe o que é melhor para os seus alunos muito melhor do que qualquer ministério sediado na capital, tão longe daquilo a que nos habituámos a chamar Portugal real. Falo por experiência própria: a "minha" escola fica no meio de nenhures, alguns alunos acabam o nono ano e têm medo de ir estudar para Guimarães: a cidade é grande, não conhecem, têm medo de se perderem. Ou vão ter um afilhado e, entre a escola e o trabalho, optam pelo último: sempre terão dinheiro para lhe dar prendas. Quanto aos exames, parecem-me essenciais para devolver credibilidade ao sistema educativo. Vivemos uma era de facilitismo: um aluno que "queira" reprovar tem de meter requerimento, de preferência em papel azul de vinte e cinco linhas - aquele que já nem há. Só assim - responsabilizando os alunos pelo seu (in)sucesso escolar é que as coisas poderão mudar para melhor. Os alunos têm de deixar de ser os "coitadinhos". Não podemos dizer que, à luz da lei, a passagem de ano seja automática, claro que não, mas a verdade é que reprovar é cada vez mais difícil. E um Zequinha que já tenha uma reprovação na mochila só muito dificilmente terá segunda. Ou então... que seria das estatísticas?
É precisamente aqui que reside a minha esperança no novo ministro: ele não quer saber de estatísticas. Ele está preocupado com os resultados reais. E sabe que, para melhorar, primeiro tem de piorar. Vão chumbar muitos meninos - até ao dia em que perceberem que têm de estudar e, então, regressarão as boas notas.
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