Woman reading

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Alexander Deineka

quinta-feira, 28 de junho de 2012

high school - 1957 vs. 2012

Scenario 1: 
Jack goes quail hunting before school and then pulls into the school parking lot with his shotgun in his truck's gun rack. 
1957 - Vice Principal comes over, looks at Jack's shotgun, goes to his car and gets his shotgun to show Jack. 
2011 - School goes into lock down, FBI called, Jack hauled off to jail and never sees his truck or gun again. Counselors called in for traumatized students and teachers.

Scenario 2:
Johnny and Mark get into a fist fight after school.
1957 - Crowd gathers. Mark wins. Johnny and Mark shake hands and end up buddies.
2011 - Police called and SWAT team arrives -- they arrest both Johnny and Mark. They are both charged with assault and both expelled even though Johnny started it.

Scenario 3:
Jeffrey will not be still in class, he disrupts other students.
1957 - Jeffrey sent to the Principal's office and given a good paddling by the Principal. He then returns to class, sits still and does not disrupt class again.
2011 - Jeffrey is given huge doses of Ritalin. He becomes a zombie. He is then tested for ADD. The family gets extra money (SSI) from the government because Jeffrey has a disability.

Scenario 4:
Billy breaks a window in his neighbor's car and his Dad gives him a whipping with his belt.
1957 - Billy is more careful next time, grows up normal, goes to college and becomes a successful businessman.
2011 - Billy's dad is arrested for child abuse, Billy is removed to foster care and joins a gang. The state psychologist is told by Billy's sister that she remembers being abused herself and their dad goes to prison. Billy's mom has an affair with the psychologist.

Scenario 5:
Mark gets a headache and takes some aspirin to school.
1957 - Mark shares his aspirin with the Principal out on the smoking dock.
2011 - The police are called and Mark is expelled from school for drug violations. His car is then searched for drugs and weapons.

Scenario 6:
Pedro fails high school English.
1957 - Pedro goes to summer school, passes English and goes to college.
2011 - Pedro's cause is taken up by state. Newspaper articles appear nationally explaining that teaching English as a requirement for graduation is racist. ACLU files class action lawsuit against the state school system and Pedro's English teacher. English is then banned from core curriculum. Pedro is given his diploma anyway but ends up mowing lawns for a living because he cannot speak English.

Scenario 7:
Johnny takes apart leftover firecrackers from the Fourth of July, puts them in a model airplane paint bottle and blows up a red ant bed.
1957 - Ants die.
2011 - ATF, Homeland Security and the FBI are all called. Johnny is charged with domestic terrorism. The FBI investigates his parents - and all siblings are removed from their home and all computers are confiscated. Johnny's dad is placed on a terror watch list and is never allowed to fly again.

Scenario 8:
Johnny falls while running during recess and scrapes his knee. He is found crying by his teacher, Mary. Mary hugs him to comfort him.
1957 - In a short time, Johnny feels better and goes on playing.
2011 - Mary is accused of being a sexual predator and loses her job. She faces 3 years in State Prison. Johnny undergoes 5 years of therapy.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Saramago no exame de sexto ano


Raios partam a sorte. Houve um ano, há muitos anos, em que abri a primeira aula de um sexto ano de Língua Portuguesa com a leitura de "A Maior Flor do Mundo", o delicioso livro infantil de José Saramago.



Foi muito antes das minhas andanças mais a sério pelos contos e pelos projectos de leitura. Não me pareceu que os alunos tivesem gostado assim lá muito. Não foi por isso, mas a verdade é que eu nunca li este livro aos alunos que estão agora a fazer exame. Nem lhes mostrei o filme, uma curta-metragem disponível no YouTube, mas que tenho gravada no meu pc. Já me fartei de dar com a cabeça na parede. 



Se é difícil? É um texto literário, dos literários a sério. Não oferece uma leitura imediata, é mais para quem lê a sonhar. Como diz a professora da minha filha: não é para ser lido, é para ser ouvido. Resta-me saber se os meus aunos são capazes de ler como quem ouve. Não sei se o texto foi escrito para ser lido por crianças, talvez esteja mais pensado para ser lido a crianças. Por um adulto. Por um adulto que já o tenha lido, ou que tenha a capacidade de ir lendo antes, para depois ler. É lindo. É muito lindo. E se for bem lido não é nada difícil. Já foi lido na sala da minha filha, que anda no primeiro ano. E eles adoraram.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

um post inútil

A ideia fixa. Ou a mania, chamem-lhe o que quiserem. Panca - talvez seja mais adequado.
Cada um tem a sua. Panca. Ou as suas. Manias. E quem atira a primeira pedra?

Não sou mulher de pressentimentos, o que me irrita sobremaneira. Gostava de ter pressentimentos, daqueles que me ajudassem a decidir o que fazer ou não fazer. Ainda hoje, fui à escola da minha filha, poucos minutos antes de iniciarem as aulas da terde, só para lhe dar um beijo. Nunca tal tinha feito e, posto que as aulas acabam amanhã, não volto a fazer, pelo menos não este ano. Foi uma coisa que me apeteceu fazer assim de repente e, como tinha tempo, lá fui. Mas não ia bem, não vim bem e não vou bem, quando for para as reuniões que ainda me esperam hoje. Olho por cima do ombro, à procura de alguma coisa que me explique por que fiz aquilo. Assim como se fosse acontecer alguma coisa má, sei lá.

Sonho muito. Sonho tanto, que às vezes parece que não durmo. E sonho coisas más, daquelas que nos tiram o sono, que incomodam. Só sonho asneiras, sobretudo se dormir muito. Visto que durmo muito pouco, podia sonhar pouco também, mas não. E acordo angustiada. Ando angustiada dias seguidos por causa do que sonho noites seguidas.

Então um dia eu tive um sonho.
Estava, na altura, grávida da minha grande.
Sonhei que ma tinham levado. Assim, porque foi assim. Não sonhei que ela tinha sido raptada, que me tinha esquecido dela, nada disso. Sonhei que ma levaram.
A bem da verdade, nem sequer sei se foi assim. Não me lembro se sonhei ou se pensei. Pouco importa, agora.
Contei à minha mãe, que é uma mania que eu tenho, conto-lhe tudo. Ela entrou em pânico e achou que eu não podia ficar sozinha no hospital, quando ela nascesse. Decidiu que ficava comigo. Fomos para um quarto particular, não para a enfermaria, que não há excepções para minguém.

Nunca aconteceu nada a nenhuma das minhas filhas, mas a segurança delas é uma preocupação constante. Uma obcessão. E estou sempre a pensar que hoje em dia corremos, correm as nossas crianças, muitos riscos, muito diferentes dos que nós corríamos quando tínhamos a idade delas.
Não consigo perceber as pessoas que colocam fotografias dos filhos - ou de crianças em geral - na Internet, particularmente em redes sociais. Não consigo entender que mais é preciso para perceberem que representa um risco real. As crianças ficam mais vulneráveis, tornam-se alvos mais fáceis. E, para agravar, colocam fotografias suas com os filhos, facilitando ainda mais a identificação de um com o outro. Não têm medo? Eu sou paranóica? Talvez, mas deixem-me estar assim.
Baralha-me mais ainda quando colocam fotos em que se vêem outras crianças. Com que direito colocam na net fotos de filhos que não são seus? Não, que eu saiba, que eu tenha visto, não há fotos das minhas filhas em parte nenhuma. (Se alguém souber de alguma, peço por favor que me avise, para eu tratar de tirar.) Por não existirem fotos em que elas apareçam, dizem-me, não tenho de me preocupar. Não concordo. Não concordo, porque o facto de não haver hoje não significa que não haja amanhã. E como evitar? A verdade é que não posso evitar. Não as tenho dentro de uma redoma, nem pensar: elas saem, vão a festinhas de aniversário de amigos, participam nas festas das respectivas escolas.
Ora aí é que está. Aproximam-se as festas de fim de ano. Um pai, uma mãe que ache normal (eu diria que acham giro) colocar fotos dos rebentos para o mundo inteiro ver pode colocar uma foto em que estejam outras crianças. Como impedir? Não há como impedir. Pode fazer-se um apelo às pessoas, para que sejam cuidadosas. Na minha opinião devia ser possível proibir os pais de colocarem fotos dos filhos na Internet, porque o primeiro dever dos pais é proteger os filhos e a exposição demasiada é um problema muito grande. Mas, para não colocarem fotos de outras crianças deveria bastar um poucochinho de bom senso. Nem era preciso muito. Arguentam-me com frequência que outras crianças não são reconhecíveis. A minha pergunta é só esta: Juras? Não são reconhecíveis a quem? A um triste mortal, como é a maior parte de nós,  ou a uma pessoa que anda na net dia e noite a fazer o que nem gostamos de saber que existe? É que eles andam aí. Não, não acredito nem em marcianos nem que o mundo acabe hoje o fim da tarde. Mas sei, porque leio notícias, porque vou vendo alguma televisão, porque trabalho com crianças (que já receberam formação sobre como utilizar a Internet) que há pessoas que não gostam de crianças e que lhes querem fazer mal.
Pela parte que me toca, quero proteger as minhas filhas. Não numa redoma, mas quero protegê-las.
As outras pessoas, façam como quiserem. Pelo sim, pelo não, aqui fica o endereço de um site muito útil, cuja consulta recomendo vivamente: Miúdos Seguros na Net.

E cá está o meu post inútil. Porque vai ser lido por tão poucas pessoas. É apenas mais uma gota de água num imenso oceano. Uma gota de água de quem rema contra a corrente.

domingo, 10 de junho de 2012

surprise, surprise!

Uma amiga puclicou no Facebook que este livro estava baratíssimo. Dada a publicidade que todas elas tinham feito, apressei-me a anunciar que ia finalmente comprá-lo. Só que o preço para tristes europeus não tinha descido assim tanto... E lá anunciei que ficaria para outra vez...
Ela, que tinha ficado toda contente, porque os nossos gostos costumam coincidir, pediu-me o meu endereço de email e disse que mo enviava. (Ela conhece uma maneira que eu não conheço.)
Qual não é o meu espanto quando, pouquíssimos minutos depois, recebo um presente. Um mail da Amazon com o livro prontinho, só pra mim! Bastou ligar o Kindle e já lá estava! (Eu contava que tivesse sido de outra maneira...)
Adoro estas novas tecnologias.

terça-feira, 5 de junho de 2012

catarse



Do grego kátharsis, «purificação»
s. f.
1.purificação emocional
2.LITERATURA (Aristóteles) purgação das paixões do público em face das emoções
fortes (horror, piedade, etc.) evocadas numa tragédia
3.(Antiguidade) cerimónias religiosas de purificação
4.PSICOLOGIA terapêutica psicanalítica que pretende o desaparecimento de
sintomas pela exteriorização verbal, dramática,emocional de traumatismos
recalcados
5.MEDICINA evacuação


Vem a propósito de uma reportagem na Revista do Público de hoje, "O fim da amizade é um tabu".
Mesmo.
Eu sou uma dessas que sofreu o fim de uma amizade. Não trato o tema como um tabu. Pelo contrário, falo muito do assunto, com muita paixão. Não posso dizer que não compreendo o que se passou, porque acho que sei perfeitamente o que foi. Não perdoo. Nunca. (E conheço-me o suficiente para saber que este nunca quer dizer mesmo nunca.)


Um dos meus lugares-comuns preferidos é o seguinte. A Humanidade está dividida em três grandes grupos: os que têm filhos, os que não têm filhos e os que têm escrito na testa que nunca na vida terão filhos. Nem que chovam picaretas.


O primeiro grupo somos nós, claro. Nós, que sabemos o que é não dormir e andar feliz com isso. Nós, que sabemos a que horas nos deitamos, mas nunca por nunca temos a mais pálida ideia de quanto tempo vamos dormir seguido. (E que mesmo assim estamos aqui a estas horas...) Nós, que corremos para o Infantário, mesmo sabendo que a partir daí não teremos mais sossego. Nós, que os enchemos de beijos, mesmo quando nos estão a arruinar mais uma noite de sono entre um dia de enxaqueca de morrer e outro de maratona de reuniões. Nós, que sabemos ao que sabe "aquele abraço".


O segundo grupo é o das pessoas que não têm filhos pelas razões mais variadas, ou que ainda não têm filhos.


Depois há os outros, os das teorias, o do preto e branco. Li há muitos anos uma citação fantástica (sim, sou a mulher das citações): "Antes de casar, eu tinha cinco teorias sobre como educar os filhos. Agora, tenho cinco filhos e nenhuma teoria." Nem de propósito: o número de filhos exacto para que cada um desse conta de uma teoria inteirinha. Os que não sabem que a maternidade é a eterna aprendizagem da arte da cedência: ceder onde? quanto? Não ceder onde? intransigentemente? Ter filhos transforma a nossa vida numa paleta de cores de fazer inveja ao próprio arco-íris.
Ela pertence a este grupo, o das teorias. Tinha uma perfeitamente lunática: "Quando ela puder começar a comer bolachas, claro que não lhe vais comprar, vai fazer em casa, para serem mais saudáveis!" Excuse me...?! E o tempo, santinha, o tempo? (E a necessidade, vá?)


Mas ainda antes dos filhos. Muito antes dos filhos. Que eu tenho e ela não. (Tem o tal carimbo na testa.)


Sinto-me usada. Sinto que me usou enquanto precisou e depois pôs na beira do prato. Assim. Esteve sozinha muito tempo, fez da minha casa quartel-general, fiz-lhe mais companhia do que devia, essa é que é essa. Depois tive a minha primeira filha, convidei-a para madrinha, porque era a pessoa mais próxima, fez muita questão do baptizado, coisa que eu até nem fazia, e, duas semanas antes do baptizado, desencalhou, quer dizer: arranjou namorado novo, nunca mais apareceu. Nunca mais quer dizer duas vezes por ano, em média. Por exemplo, não vê a afilhada desde antes do Natal. (Recordo que estamos em Junho.)
Se não me engano, deve ter ficado muito sentida comigo por este motivo extraordinário: morreu om meu sogro, fez hoje dois meses. E eu que nem lhe tinha dito que ele estava doente... Soube dois dias antes, telefonou na véspera com um daqueles então-que-se-passa? melosos de quem está a pensar numa coisa completamente diferente, tipo long-time-no-see, em vez de um senhor submetido diariamente a radioterapia.
Mas quer dizer... achava que lhe ia ligar a expor o sofrimento do meu sogro, de nós todos? Não fizemos isso. Nem com ela nem com ninguém. Uma das coisas que as pessoas merecem quando estão doentes é privacidade.
Que queria aparecer, que tem a prenda para a Margarida, que não estava cá no próximo fim de semana, que não ficasse à espera que ela ligasse e que ligasse eu também E lá vai mais de um mês e meio. Santa paciência. Seria tão bom que as pessoas que desaparecm tivessem pelo menos a decência de desapareceram... O que não perdoo é a minha filha a perguntar por que é que ela não aparece. Não perdoo a mim própria. Que estúpida.