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Alexander Deineka
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quinta-feira, 14 de junho de 2012

um post inútil

A ideia fixa. Ou a mania, chamem-lhe o que quiserem. Panca - talvez seja mais adequado.
Cada um tem a sua. Panca. Ou as suas. Manias. E quem atira a primeira pedra?

Não sou mulher de pressentimentos, o que me irrita sobremaneira. Gostava de ter pressentimentos, daqueles que me ajudassem a decidir o que fazer ou não fazer. Ainda hoje, fui à escola da minha filha, poucos minutos antes de iniciarem as aulas da terde, só para lhe dar um beijo. Nunca tal tinha feito e, posto que as aulas acabam amanhã, não volto a fazer, pelo menos não este ano. Foi uma coisa que me apeteceu fazer assim de repente e, como tinha tempo, lá fui. Mas não ia bem, não vim bem e não vou bem, quando for para as reuniões que ainda me esperam hoje. Olho por cima do ombro, à procura de alguma coisa que me explique por que fiz aquilo. Assim como se fosse acontecer alguma coisa má, sei lá.

Sonho muito. Sonho tanto, que às vezes parece que não durmo. E sonho coisas más, daquelas que nos tiram o sono, que incomodam. Só sonho asneiras, sobretudo se dormir muito. Visto que durmo muito pouco, podia sonhar pouco também, mas não. E acordo angustiada. Ando angustiada dias seguidos por causa do que sonho noites seguidas.

Então um dia eu tive um sonho.
Estava, na altura, grávida da minha grande.
Sonhei que ma tinham levado. Assim, porque foi assim. Não sonhei que ela tinha sido raptada, que me tinha esquecido dela, nada disso. Sonhei que ma levaram.
A bem da verdade, nem sequer sei se foi assim. Não me lembro se sonhei ou se pensei. Pouco importa, agora.
Contei à minha mãe, que é uma mania que eu tenho, conto-lhe tudo. Ela entrou em pânico e achou que eu não podia ficar sozinha no hospital, quando ela nascesse. Decidiu que ficava comigo. Fomos para um quarto particular, não para a enfermaria, que não há excepções para minguém.

Nunca aconteceu nada a nenhuma das minhas filhas, mas a segurança delas é uma preocupação constante. Uma obcessão. E estou sempre a pensar que hoje em dia corremos, correm as nossas crianças, muitos riscos, muito diferentes dos que nós corríamos quando tínhamos a idade delas.
Não consigo perceber as pessoas que colocam fotografias dos filhos - ou de crianças em geral - na Internet, particularmente em redes sociais. Não consigo entender que mais é preciso para perceberem que representa um risco real. As crianças ficam mais vulneráveis, tornam-se alvos mais fáceis. E, para agravar, colocam fotografias suas com os filhos, facilitando ainda mais a identificação de um com o outro. Não têm medo? Eu sou paranóica? Talvez, mas deixem-me estar assim.
Baralha-me mais ainda quando colocam fotos em que se vêem outras crianças. Com que direito colocam na net fotos de filhos que não são seus? Não, que eu saiba, que eu tenha visto, não há fotos das minhas filhas em parte nenhuma. (Se alguém souber de alguma, peço por favor que me avise, para eu tratar de tirar.) Por não existirem fotos em que elas apareçam, dizem-me, não tenho de me preocupar. Não concordo. Não concordo, porque o facto de não haver hoje não significa que não haja amanhã. E como evitar? A verdade é que não posso evitar. Não as tenho dentro de uma redoma, nem pensar: elas saem, vão a festinhas de aniversário de amigos, participam nas festas das respectivas escolas.
Ora aí é que está. Aproximam-se as festas de fim de ano. Um pai, uma mãe que ache normal (eu diria que acham giro) colocar fotos dos rebentos para o mundo inteiro ver pode colocar uma foto em que estejam outras crianças. Como impedir? Não há como impedir. Pode fazer-se um apelo às pessoas, para que sejam cuidadosas. Na minha opinião devia ser possível proibir os pais de colocarem fotos dos filhos na Internet, porque o primeiro dever dos pais é proteger os filhos e a exposição demasiada é um problema muito grande. Mas, para não colocarem fotos de outras crianças deveria bastar um poucochinho de bom senso. Nem era preciso muito. Arguentam-me com frequência que outras crianças não são reconhecíveis. A minha pergunta é só esta: Juras? Não são reconhecíveis a quem? A um triste mortal, como é a maior parte de nós,  ou a uma pessoa que anda na net dia e noite a fazer o que nem gostamos de saber que existe? É que eles andam aí. Não, não acredito nem em marcianos nem que o mundo acabe hoje o fim da tarde. Mas sei, porque leio notícias, porque vou vendo alguma televisão, porque trabalho com crianças (que já receberam formação sobre como utilizar a Internet) que há pessoas que não gostam de crianças e que lhes querem fazer mal.
Pela parte que me toca, quero proteger as minhas filhas. Não numa redoma, mas quero protegê-las.
As outras pessoas, façam como quiserem. Pelo sim, pelo não, aqui fica o endereço de um site muito útil, cuja consulta recomendo vivamente: Miúdos Seguros na Net.

E cá está o meu post inútil. Porque vai ser lido por tão poucas pessoas. É apenas mais uma gota de água num imenso oceano. Uma gota de água de quem rema contra a corrente.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

mais? ou menos?

Não sei se gosto.
De início, parecia mais simpático do que o Facebook. Partilhamos só com os círculos que queremos, o que é bom, porque às vezes preferíamos não dizer tudo a todos os amigos... Também gostei dos hangouts. Dizemos que estamos ligados e os amigos, se também estiverem, aparecem, para falarmos face to face. Cheguei a experimentar com uma americana, depois de uma luta de muito tempo com o microfone dela, que não funcionava, e foi divertido.
Mas...
Há coisas que não percebo.
Enviei convites para endereços Yahoo que apareceram nas caixas Gmail das pessoas a quem se destinavam. (Às vezes parece que é mesmo verdade que a Google controla TUDO a nosso respeito...)
Tenho pessoas bloqueadas sem que tenha feito nada para isso e não consigo desbloqueá-las. E algumas gostaria mesmo de adicionar.
Fui adicionada por pessoas que não faço a mínima ideia quem são. Bloqueei, ma non tropo. Quer dizer: as pessoas que eu bloqueei podem ver os meus posts se eles forem públicos. No Facebook não é assim: se eu bloqueio uma pessoa, eu não existo no Facebook, para ela, nem ela para mim. Por muito que procure. Nem que tenhamos amigos comuns, nem que comentemos os mesmos posts de amigos comuns. Não vemos nada um do outro.
E ainda por cima há fotos minhas no Google +. E eu juro que não pus lá nada. Só a bota, como fotografia de perfil. Tem montes de fotografias: tiradas com o telemóvel, do blog, fotos que eu, a bem da verdade, nem conheço. Não estão publicadas, aguardam o meu clique, mas estão lá. E eu não percebo como.
Não me agrada.
Não porque acredite que o Facebook seja assim tipo Madre Teresa de Calcutá. Tem as suas coisas e temos mesmo de andar sempre em cima das opções de privacidade, mas não é assim...
Pelo menos que eu me aperceba.

sábado, 9 de julho de 2011

o vício...


É verdade: estou viciada nisto da net. Já tinha escrito isto, há dois anos, quando abri a minha conta no Facebook. Desde então, só tem piorado.
Não gostei do Google Buzz, porque todos sabemos que a nossa lista de contactos não é propriamente uma lista de amigos. Não vamos exactamente despir-nos na frente de uma pessoa que nunca vimos na vida, só porque uma vez lhe enviamos um mail com uma inscrição em qualquer coisa. Não cabe na cabeça de ninguém.
Mas não resisti ao Facebook, já nem me lembro porquê. Mas fui cuidadosa e jurei a mim própria que não adicionaria como amigo ninguém que não conhecesse perfeitamente. Não cumpri a promessa. Depois veio o Kindle, a mother page, que aumentou o vício... e de que maneira. Depois os grupos... Já não chegava o iPod. Tinha de estar sempre a ver o que se passava. Claro que certas pessoas que adicionamos no Facebook estão lá porque não poderiam não estar. Mas...
Aqui, parece-me, está a vantagem do Google +.
Como podemos criar círculos de amigos e partilhar só com um, dois, todos os círculos, como quisermos, parece-me que pode ter algumas vantagens em relação ao FB, não sei.
Criei um círculo com alunos. Não convidei nenhum, mas estão num círculo... para o que der e vier. Nunca adicionaria um aluno como amigo no Facebook, e eles sabem disso, embora continuem a enviar convites. Mas não posso. Em primeiro lugar, por causa daquela história do trabalho e do cognac. Depois, porque os meus alunos - e a maior parte dos alunos da minha escola - não têm idade para terem conta no Facebook.
O problema de tudo isto é o que perco de sono. Não, por favor, não olhem para o relógio. É que isto tudo é: a conta de email (ou não sei quantas, mas todas a cair na mesma, ou seria o caos), o iGoogle, o blog, o outro blog, o Facebook, a página no Facebook... ah, e o Twitter, mas a esse já nem ligo quase nada.
O vício, é o vício...