Woman reading

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Alexander Deineka

quarta-feira, 18 de maio de 2011

o que lemos?

Discute-se fervorosamente, num grupo privado no Facebook, o que se lê.
É raro. Estes grupos tendem a ser muito amigáveis e, como são compostos por pessoas muito diferentes, com gostos literários também diferentes, não costumamos alimentar discussões sobre o que vale ou não a pena ler. Cada qual lê aquilo de que gosta e não é criticado por ninguém. Aliás, há umas semanas eu coloquei neste mesmo grupo um post a dizer que a autora de um livro que detestei estava a anunciá-lo por muito pouco dinheiro - tipo menos de um dólar - na página Amazon Kindle e, de imediato estava uma amiga a agradecer.
Hoje, para variar, discute-se autores e géneros.
Eu sou esquisita, vou avisando. Leio Literatura. Asim, com letra maiúscula. Leio aqueles livros que chegaram ou chegarão às aulas de literatura. Não sou uma intelectual barata, mas sou difícil de satisfazer. Nem leio só os clássicos, longe disso. Li poucos clássicos, para ser verdadeira... Tenho vergonha, a sério.
Diz a Agustina Bessa-Luís que quem não escreve sobre a sua infância não escreve verdade. Achei que fazia sentido, mas depois li Viver para Contá-la, do Gabriel García Márquez, o meu escritor preferido, e percebi que era verdade. Os livros dele estão lá todos. Quer dizer: encontrei, na autobiografia dele, todas as histórias que já tinha lido.
Deixo-me levar por primeiras frases. Adoro primeiras frases.
Muitos anos mais tarde, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde longíqua em que o pai o levou a conhecer o gelo.
It is a truth universally aknowledged that a single man in possession of a good fortune must be in want of a wife.
Faz-me aranhas.
O grande livro não é aquele que conta uma grande história, mas aquele que a conta magistralmente.

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