Woman reading

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Alexander Deineka

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

há sempre uma primeira vez...

Chamem-me o que quiserem, mas a verdade é que levei hoje, pela primeira vez, as minhas filhas ao parque. A mais velha tem três anos, quase quatro, a pequenina treze meses.
Não tenho o hábito de as levar ao parque porque têm um "parque" mais que bom em casa dos meus pais: imenso espaço exterior, jardim, flores, bolotas, baloiços, bicicletas, triciclos e por aí fora. Na verdade não precisam de ir ao parque para saírem do apartamento em que vivem e onde, a bem da verdade, passam pouco tempo.
Hoje saí da escola relativamente cedo, fui buscar a pequenina a casa dos avós, dei uma boleia ao meu pai e fui buscar a grande ao colégio. Cheguei um pouco mais tarde do que costumo, mas cedo, ainda assim, na opinião dela, que queria continuar no parque. Quando percebeu que tomávamos a direcção de casa - e não de casa da avó - protestou. Protestar significa fazer birra, insistir que quer ir à avó, enfim, prova de paciência. Expliquei-lhe que não estava ninguém em casa: uma meia verdade, mas não estavam de facto as pessoas com quem ela queria brincar.
Num flash de inspiração, lembrei-me: e se fôssemos ao parque da cidade? Ficou feliz, claro.
Lá fomos. Andaram de baloiço (como se já não o fizessem há anos), de escorrega. Não era preciso ir ao lago, porque "vê-se daqui". Quer dizer: o baloiço era demasiado importante.
Cerca de uma hora depois, estava na hora de regressar. Já passava das seis da tarde e estava a ficar frio, sobretudo para a mais pequenina, e eu não tinha levado casacos: fomos de improviso. Não podia ser, porque ainda não tínhamos ido ao lago. Tinha de ser porque estava na hora e estava a ficar frio. Berrou o tempo todo. Do parque até ao carro, que estava no fim do parque de estacionamento. No carro porque tinha que entrar antes da irmã. Porque tinha de entrar primeiro a irmã. Porque não queria vir para casa. Berrou até chegar a casa: a viagem, a cerimónia de as tirar do carro - que leva o seu tempo - o elevador, até ligar a televisão e me pedir o comando, aos berros.
Foi a minha primeira vez com as minhas filhas no parque.

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