Woman reading

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Alexander Deineka

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

como fiz da minha filha uma bibliófila III

Quando tinha dezoito meses, a sua capacidade de concentração já me permitia ler-lhe as histórias de um livro que recomendo a todas as mães e que encontrei nas prateleiras de um supermercado: Boa Noite, Ursinho. Um vistoso “calhamaço” com três histórias lindíssimas que a mãe Urso lê ao seu filhote para o colocar nas asas de Morfeu: histórias sobre a hora de dormir, que surge como uma coisa boa, sem bruxas, lobos maus ou outros seres capazes de despertarem pesadelos. Aprendeu-as de cor, como seria de esperar, de tantas vezes que lhas li por sua própria insistência, exigência, até.
Entretanto, o cuidado que tinha ao manusear os livros foi evoluindo também e isso permitiu alargar o leque: aos dois anos e pouco já folheava sozinha livros de folhas finas, sendo de registar que nunca rasgou nenhum.

Quando a irmã nasceu, a três meses do seu terceiro aniversário, perguntámo-nos que prenda lhe deveria trazer, o que a faria mais feliz, que presente seria mais especial. Rapidamente concluímos que aquilo que lhe dá mais prazer são os livros.

Mais tarde, quando se tornou vital criar em casa um espaço chamado “quarto dos brinquedos”, tentei uma nova “casca de banana”: junto às quatro prateleiras que já tem repletas de livros, coloquei o seu sofá, à sua medida, e uma manta que trouxe o Pai Natal, “para pores nos joelhos, se tiveres frio”. Tenho de confessar que fiquei admirada quando a vi ir directa a esse cantinho, colocar a manta nos joelhos e escolher um livro. Pode ter sido da novidade, de ter ficado assoberbada por ver os seus brinquedos, tantos, subitamente arrumados de maneira que tinha acesso a todos, o que até aí não acontecia, mas a verdade é que já se passaram vários meses e esse continua a ser o seu cantinho favorito. Dentro e fora de casa: um sofá e um livro são os ingredientes perfeitos para um bom pedaço de tempo.

Recentemente, de um momento para o outro, tivemos de sair de casa para dormir fora, situação que, sabíamos à partida, se prolongaria por uma semana. Ficou incrédula quando, à hora de dormir, nos apercebemos de que não havia livro – apenas conseguimos encontrar dois, “de bebé”, que é o que chamamos aos livros que não têm praticamente texto, que apresentam a história muito resumida. Lá lhos li, acrescentei histórias sem livro e lá passou a primeira noite.
Quando, no dia seguinte, com mais calma, fui a casa munir-me dos “precisos” para a semana, escolhi uma série de livros e levei-lhos, dentro de uma mochila. Ao chegar, disse-lhe que lhe trazia uma surpresa. Ao perceber que se tratava de uma mochila cheia de livros por onde escolher para cada noite, o seu rosto iluminou-se num sorriso!

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