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Alexander Deineka
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

feliz ano novo!


Esta altura do ano é sempre emocionante. A minha preferida.O cheiro a novo dos livros e cadernos, os lápis novos, as canetas por estrear, os porta-lápis imaculados, o regresso à rotina, aos amigos, os professores novos, os já conhecidos...
É nesta altura que, há mais de trinta anos, faço a minha lista de resoluções de ano novo. Eu sei que costuma ser em Dezembro, mas na verdade, para quem vive da escola, para a escola, os anos que contam são os anos lectivos - não os civis.
E todos os anos faço promessas que cumprirei à risca, prometo a mim própria, ao longo de todo o ano. Durante doze anos, fiz esta lista na qualidade de aluna. Desde há quinze anos, na qualidade de professora. Mudou a posição, mas não mudou a lista, pelo menos não no essencial. E só agora me apercebo de que o meu lombo já leva mais anos deste lado da barricada do que do outro.

Então cá vai a lista:
1. Este ano não vou deixar trabalho acomular.
2. Não vou deixar trabalhos de casa para a última hora, e muito menos por fazer.
3. Vou ter as minhas coisas organizadas - sobretudo os papéis.
4. Não andarei com coisas desnecessárias na pasta.
5. Vou acordar a horas, para não andar a correr de manhã.

Pois. Dizem que o ano novo acabou quando os ex-fumadores voltam a fumar.

Ainda o primeiro período não vai a meio e a situação é mais ou menos a seguinte:
1. Actas de departamento e de conselho de turma atrasadas. (Respectivos presidentes atrás de mim, impacientes.)
2. O teste é dentro de dois dias e ainda nem escolhi o texto.
3. Nem pus os testes nos dossiers (agora enviamos por mail), nem deitei fora os rascunhos das correcções, nem arrumei as fichas em que peguei para tirar fotocópias. (Está tudo acumulado no escritório, numa desordem em que me entendo perfeitamente, mas que odeio.)
4. Tenho tudo metido na pasta, que pesa tanto que já me rendeu tendinites e espondilites. As coisas de que preciso, as de que precisei, as de que posso vir a precisar, as completamente inúteis.
5. Acordo a horas, mas não saio da cama até ser demasiado tarde. Ando sempre a correr e começa a acontecer-me o impensável: o pequeno almoço, por vezes, é um leite chocolatado tomado no carro, a caminhpo da escola.

Este ano é diferente. Não só eu começo um novo ano lectivo, mas também a minha filha começa o seu primeiro ano de escola. Além daquelas observações idiotas que todas fazemos nestas alturas, como "o tempo passou tão depressa", "já está crescida", etc, debato-me com dúvidas existenciais mais sérias.
E a mais sincera, a mais profunda, é esta: serei capaz?
Quero que ela tenha um dia-a-dia calmo, que lhe permita cumprir as suas tarefas escolares com eficiência, mas que não lhe roube a infância, o tempo para brincar.
Ela tem capacidades que lhe permitirão obter sucesso nos estudos, mas há uma parte que tenho de ser eu a fazer. A maior parte, a mais importante. Ela vai passar 700 horas na escola ao longo deste ano. Mas vai passar 8000 em casa, o que é muito mais, portanto a bola está no meu campo.
E então vem ao de cima a síndrome de Peter Pan, o menino que não queria crescer.

Este ano, acho melhor resumir a minha lista de resoluções de ano novo:
Ponto único: Time to put on your big girl pants.

Está na hora de crescer.

domingo, 3 de julho de 2011

já está

Pois. É que, tomada a decisão de pôr a rapariga na escola pública e não no colégio, era preciso convencê-la que é melhor.
Não, não me preocupei em convencê-la a ir para uma escola e não outra. Os seus cinco anos ainda não lhe permitem emitir opinião sobre matérias desta natureza. Mas já estava de cabeça feita... e era preciso fazer reset ao sistema.
Comecei por uma abordagem "soft"... na minha humilde opinião...
"Nem imaginas o que aconteceu! Eu consegui que tu entrasses na melhor escola da cidade!"
"Mas eu vou para o colégio."
OK. Na próxima será melhor.
Passados uns dias, tratei de lhe explicar exactamente o que significa a palavra "trambiqueira". Vinha a propósito, algumas leitoras me compreenderão.
Tratei de lhe mostrar as vantagens: pode vestir a roupa que quiser, pode pôr os laços que quiser no cabelo, as bandoletes, fitas, totós - o que estaria muito condicionado pelo uniforme.
Pode escolher os lápis, os cadernos, comprar os livros com antecedência (esta é a melhor parte de ir para a escola, não é?), enquanto, no colégio, entra de mochila e porta-lápis vazios e vem de lá com eles cheios... (que corta ganzas!)
Consegui.
Já fala na "escola".

terça-feira, 28 de junho de 2011

e agora?

Eu pensei que isto nem fosse possível. Aliás, eu já nem sequer pensava nesta hipótese.
Acabo de receber um telefonema. A minha filha entra na escola que eu queria. Não na escola da minha área, mas na escola que eu queria. E eu que até já a inscrevi no Colégio...
Vamos por partes.
Vantagens do Colégio:
É à porta fechada, vai ter um bom professor, há muita disciplina, regras.
Desvantagens do Colégio:
Mensalidade de € 210, que inclui apenas a leccionação (mais € 50 para o almoço, mais € 20 para o lanche, mais o prolongamento, que não me lembro de repente quanto é), até certo ponto não sei se se batem pela excelência propriamente dita ou mais pela fama de que é difícil. Sai todos os dias às 16:30.
Vantagens da escola pública:
Sai às 15:30 pelo menos alguns dias por semana, o que permite piscina e Inglês mais cedo, está entre pessoas mais "normais".
Desvantagens da escola pública:
O intervalo para almoço é mais curto, pode impossibilitar o almoço em casa.
Que faço?