Era uma vez um grupo de imigrantes ucranianos.
É de prever que tenham dificuldades económicas, todos têm. Que outro motivo poderia levar um médico, um engenheiro a trabalhar na construção civil, em bombas de gasolina a abastecer veículos ou a lavar carros?
Ora os indivíduos em questão sentaram-se a uma mesa a conversar, fizeram contas, mediram os sacrifícios e acharam que sim, podia ser.
O assunto que debatiam devia ser motivo para todos os portugueses esconderem a cara num buraco: eles fizeram contas e mais contas ao pouco dinheiro que têm para, por fim, decidirem contratar um professor que desse aulas suplementares de Matemática aos seus filhos. Estavam alarmados com a maneira como a Matemática (não) é ensinada em Portugal.
Pois é. Os imigrantes ucranianos vêm de um país muito pobre, que conhece a liberdade há muito pouco tempo, portanto sabem que a única coisa que nos pode valer quando tudo o resto falhar é o conhecimento. São imigrantes, sujeitam-se a trabalhos precários, mas têm formação e não é uma formação qualquer: medicina, engenharia... Formação da a sério, da que só se consegue estudando muito.
Ao portuga o que interessa é safar-se.
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