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Alexander Deineka
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terça-feira, 29 de maio de 2012

a palavra de ordem

Abuso de poder? Abuso de autoridade? De autoridade, certamente, não... Não a tem. Mas tem poder, isso sim. Quer dizer: não tem poder, mas age como se tivesse e a impressão que todos temos é que o seu poder é real. Era, talvez. É minha convicção que está a perder terreno, a própria o sente, parece-me. Mas a verdade é que de vez em quando corta e prega a seu bel-prazer, sem dizer nada. E que a palavra de ordem é poupar. Calma, nem tanto. Eu passo horas na bricolage, para poupar uma fotocópia, às vezes meia. Mas reduzir quatro páginas A4 a uma página só é mais do que eu tenho paciência para aturar. Não pode ser. Ainda por cima porque foi uma redução completamente arbitrária: nem houve o cuidado de eliminar as margens, enormes, nem de escolher a página com menos texto, ou com menor quantidade de texto importante. Foi a direito. Depois tirou novas fotocópias, foi quanto poupou.

terça-feira, 22 de maio de 2012

não escrevo em acordês


Aqui escreve-se, escrever-se-á sempre, em Português. Em bom Português. (Tenta-se)
Pode, portanto, concluir-se que aqui o povo é CONTRA o AO90. Muito contra. Tão contra que, no Facebook já pertenço a dois ou três grupos anti-acordistas. Já tenho amigos anti-acordistas. Já pus muita gente a assinar a ILC contra o AO. Escrevi ao Ministro da Educação e Ciência a apoiar a carta de Madalena Homem Cardoso. É verdade: como mãe e encarregada de educação preocupa-me que as minhas filhas aprendam a escrever com erros ortográficos. Ainda há dias mandei pôr o acento na "joia" que o Zequinha oferecia à fada. Ela avisou-me que no livro não tinha acento e eu disse-lhe que pusesse no livro também.
Quem quiser assinar a ILC diga. Ou quem quiser saber o que é. Estou completamente informada sobre o assunto.


Dizem-me que é tarde, mas eu continuo esperançada, mais esperançada ainda desde a poderosa pedrada no charco que foi a atitude de Vasco Graça Moura ao retirar o conversor ortográfico dos computadores do Centro Cultural de Belém nada mais tomar posse. Nunca poderemos, nós, Portugueses, agradecer-lhe o suficiente. Parafraseando Helena Matos, num texto a respeito de outro disparate pegado que não vem ao caso, eu, que sou empedernidamente optimista, acredito. Este famigerado AO90 vai morrer na praia. À sede.


Para meu grande espanto, não é fácil falar sobre este assunto. Muitas pessoas acham que não lhes diz respeito. Respondem com um encolher de ombros e informam que continuarão a escrever como sempre. Para estas, desculpem-me o comentário mauzinho, foi muito bom que o AO tenha sido implementado, porque de repente viram os filhos chegar a casa com os trabalhos da escola cheios de erros, porque os livros da escola passaram a ter erros - e assim perceberam que o assunto lhes diz respeito sim. E muito.
Uma das pessoas que me dizia que não era com ele respondeu-me "Que caos!" quando lhe mostrei isto. (Divirtam-se também. A sério que é hilariante. De quantas maneiras podemos escrever "correctamente" um endereço numa carta? Vá! Aceitam-se apostas!)


Uma das coisas que fiquei a saber através da carta de Madalena Homem Cardoso (quem me dera tê-la escrito...) foi que posso recusar-me a usar a nova grafia invocando objecção de consciência. Para que fique bem claro: eu enquadro-me perfeitamente no grupo dos objectores de consciência. Faço o que posso, juro que faço o que posso. Por exemplo: há já muitos anos, nas aulas de Língua Portuguesa, escrevo a data por extenso, com dia da semana, mês, tudo. Este ano regressei ao formato 22/05/2012. Porquê? Porque me recuso a escrever o mês com letra minúscula. Ponto.
Tenho lido, sobretudo no Facebook, que os professores deviam fazer uso do seu direito à desobediência civil (consagrado na nossa Constituição, fiquei a saber) para não seguirem a nova ortografia, visto que temos uma responsabilidade acrescida nisto do ensino da escrita. Pois. O pior é que não se reaprende a escrever de um momento para o outro (desaprende talvez seja mais adequado) e em 2014 todos os estudantes serão obrigados a responder a todas as provas de carácter nacional com erros ortográficos. E qual é o pai que, por muito descordista que seja, engolirá o sapo de ver o filho fora da Universidade por causa de umas décimas que o professor corrector lhe descontou em nome da desobediência ao texto do acordo? Isto é muito complicado. Eu não uso a nova grafia. Os meus alunos, embora muito jovens ainda, sabem que não uso e sabem porquê. Mas até quando poderei manter esta posição?


Somos um povo de emoções fortes. Regozijámo-nos com a consagração do Fado como Património Imaterial da Humanidade. A nossa Língua Portuguesa é maior do que o Fado, permitam-me. Vamos deixar que meia dúzia de irrresponsáveis levem a melhor, em nome de uma modernização que ninguém entende (que vai pôr Portugal inteiro a escrever com erros, a ler mal), movidos pelo dinheiro que algumas editoras vão ganhar com a venda de novos dicionários? É verdade: já se gastou muito dinheiro. Mas vai gastar-se muito mais dinheiro ainda, ou reparem: aqueles que têm filhos a aprender a ler acham bem que os livros da biblioteca da escola não estejam escritos de acordo com a ortografia vigente? Não há melhor meio para aprender a escrever do que a leitura. Se isto da nova (dis)ortografia for mesmo para a frente - eu acredito que ainda não está - as bibliotecas escolares serão lixo. As biblioteas escolares irão inteiras para o lixo.


Por favor, assinem a ILC. Para sermos muitos e acabar este meu (nosso) pesadelo. Porque eu a sério que acredito que vamos a tempo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

e escrevo, escrevo, escrevo...


Gosto de trabalhar sob pressão. Sempre fui assim. O estudo rendeu-me sempre mais quando tinha pouco tempo. O trabalho rende-me sempre mais quando se aproxima o fim do prazo.
E hoje... aproximava-se o fim do prazo. Não podia continuar a adiar. Passei o dia a escrever, contrariada, o famoso relatório de auto-avaliação.
A sério: eu gosto de escrever, mas não estava mesmo nada virada para isto. Não me apetecia. Agora parece que está. Vou ler mais umas vezes a ver se as vírgulas estão todas no sítio... Mas acho que dou por encerrada a sessão.
Ufa!