Woman reading
Alexander Deineka
quarta-feira, 20 de julho de 2011
a queda de um anjo
Devo ter ficado mais ou menos assim.
Não, não estava nua. E não caíam penas sobre o meu corpo relaxado.
Na verdade, torci um pé, desequilibrei-me e a mochila que trazia às costas (a minha maravilhosa mochila Piquadro, devidamente cheia, com computador e tudo) fez o resto do serviço. Atirou-me ao chão.
E ali fiquei, imóvel, ensanduichada entre o chão e a mochila pesadíssima, meia dentro de casa, meia fora.
Nem sei por que escolhi esta imagem: não teve nada de relaxante, não teve nada de poético. Foi mais... patético.
As meninas já no elevador, a minha housemaid também, carregadíssima com um cesto de roupa. Eu muda, queda.
Entretanto, lá se desenvencilhou do cesto da roupa e veio em meu socorro. Lá me desenvencilhei da mochila (Piquadro, não se esqueçam), sentei-me no chão e ali fiquei um pedaço. (Uns segundos, vá.)
Doía-me tudo: o joelho, a anca, a cabeça, o pescoço. Depois, já se sabe, lá foi passando.
E dormir? E, antes de dormir, ler às meninas, ora virada para um lado, ora virada para o outro, ora a erguer o livro para a outra ver da sua cama?
Isto foi ontem, portanto, como podem imaginar, hoje estou bem pior. Doem-me as costas. Claro. A mochila não é leve, ia bem cheia e o PC é dos que pesam. E caiu por cima de mim.
Doem-me as pernas, muito. Dói-me o tornozelo que virou e provocou a cena toda. Dói-me o braço, que raspou no tapete da entrada, adequadamente áspero para limpar as solas dos sapatos de quem vem da rua.
Diz a voz do povo que amanhã será pior...
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