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Alexander Deineka

terça-feira, 5 de julho de 2011

a arte de gastar dinheiro


O nosso novo Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, diz-se grande admirador, discípulo mesmo, de Milton Friedman (1912-2006), economista, estadista, académico norte-americano, a quem foi atribuído, em 1976, o Prémio Nobel da Economia. O The Economist descreve-o como "o mais influente economista da segunda metade do séc. XX... talvez de todo o séc. XX."
Segundo Friedman, há quatro maneiras de gastar dinheiro. Passo a explicar.

1. Eu gasto o meu dinheiro comigo.
Quando eu gasto dinheiro meu com coisas que compro para mim, eu quero o melhor de dois mundos: gastar o mínimo possível (sim, porque o dinheiro é meu...) e obter o máximo de qualidade possível (sim, é para mim, é com o meu dinheiro... tem de ser bom.)

2. Eu gasto o meu dinheiro com os outros.
Se assim é, eu continuo a querer gastar pouco, mas já não estou tão preocupada com a qualidade do que vou adquirir (não é para mim...). Estou mais preocupada com o valor em questão, não com a qualidade/utilidade/necessidade do que vou adquirir.

3. Eu gasto o dinheiro dos outros comigo.
Ora bem... Se eu vou sair em trabalho e o patrão paga o almoço, eu quero comer bem, beber melhor, e não me interessa o valor da factura... o patrão paga...

4. Eu gasto o dinheiro dos outros com os outros.
Se o dinheiro não é meu e se o que vou comprar não é para mim, o que me preocupa? Nada. Quero lá saber se gasto muito ou se gasto pouco. O dinheiro não é meu (não me doeu ganhá-lo, se acabar o problema também não é meu) e vou gastá-lo em coisas que nem vou ver. Vou gastar bem? Vou gastar mal? É mesmo preciso? Há alternativas melhores, mais em conta, uma melhor relação qualidade/preço? Desculpem lá, analisar tudo isso daria muito trabalho. Não me apetece. Não me interessa.

A hipótese 4 é aquela que descreve o Estado a gastar o dinheiro dos contribuintes.
O dinheiro não é dos ministros, deputados, directores-gerais, presidentes de câmaras, juntas, etc. Mas são eles que definem em que vai ser gasto - e não é, por regra, em coisas de que eles vão usufuir.
Portanto, o que interessa se é bem ou mal gasto? O dinheiro nem sequer é deles...
O pior é que o saco tem fundo. Está cheio de dinheiro que não lhes pertence, mas acaba. Não faz mal. Aumenta-se os impostos. Ou, no caso, inventa-se um novo imposto.
A primeira coisa que o nosso Ministro das Finanças, admirador de Milton Friedman, fez foi... inventar um imposto.

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